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Imigração coloca governo Merkel em xeque  

Se não chegar a um acordo sobre a imigração na União Europeia, a chanceler alemã, que vem sendo pressionada dentro da sua própria coalizão, corre o risco de perder o cargo

    • Da Redação, com agências
    • 28/06/2018 13:01
    Chanceler alemã Angela Merkel durante a cúpula com líderes da UE, que vão discutir as políticas de imigração no bloco | LUDOVIC MARINAFP
    Chanceler alemã Angela Merkel durante a cúpula com líderes da UE, que vão discutir as políticas de imigração no bloco| Foto: LUDOVIC MARINAFP

    Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, enfrenta uma crise interna que ele mesmo criou com a adoção da política de tolerância zero com imigrantes, do outro lado do Atlântico a chanceler alemã Angela Merkel encara um de seus maiores desafios em 13 anos de governo, também devido à política migratória praticada por sua administração, criticada por seus opositores como “permissiva”. 

    Se não chegar a um acordo dentro de sua própria coalizão governista, Merkel corre sérios riscos de perder o cargo. Nas últimas semanas, o partido CSU (Partido da União Social Cristã, que se juntou ao Partido Democrata Cristão de Angela Merkel para formar o governo) tem ameaçado usar sua influência no governo federal para restaurar os controles de fronteira. Horst Seehofer, que lidera o CSU e é Ministro do Interior, deu um ultimato de duas semanas para que a chanceler consiga um acordo com as lideranças da União Europeia. Ele quer que a polícia alemã tenha autoridade para barrar a entrada de imigrantes que já tenham sido registrados em outros países, mas Merkel acredita que essa medida contraria o princípio de divisão de responsabilidade entre os países União Europeia ao forçar países do sul, como a Itália e a Grécia, a absorverem muito mais imigrantes.

    Leia também: O Ocidente realmente enfrenta uma crise migratória?

    O prazo do CSU está terminando e Merkel fará mais uma tentativa em uma cúpula da UE que começa em Bruxelas nesta quinta-feira (28). Entretanto, suas chances de forjar um acordo entre os líderes europeus estão ameaçadas por países como a Itália, liderada pelo governo populista do M5S (Movimento 5 Estrelas) e da Liga, e a Áustria, governada pelo direitista Sebastian Kurz. 

    Mesmo que o fluxo de imigrantes tenha diminuído, as consequências políticas das pressões migratórias ainda estão repercutindo em toda a Europa. Merkel está buscando uma maneira de redistribuir os migrantes que já estão no continente. A Itália, estado fronteiriço dos solicitantes de asilo e migrantes vindos do norte da África, está mais concentrada em evitar o que diz ser um fardo injusto que foi imposto a ela pelos países ao norte, já que são um primeiro porto de entrada para milhares de refugiados. Já o chanceler austríaco tentará fechar a Europa aos imigrantes que chegam pelo mar à procura do asilo

    "Uma pessoa que procura proteção na Europa não pode escolher o país dentro da União Europeia, onde ele ou ela quer apresentar um pedido de asilo", disse Merkel ao Parlamento antes de embarcar para Bruxelas. No entanto, ela acrescentou que "não podemos deixar os países onde os imigrantes chegam ficarem com todos eles". 

    “A questão da migração está entrando em uma nova e perigosa fase na política europeia. E ocorre justamente quando Merkel, a líder mais capaz de forçar compromissos, está na posição mais fraca para forjar um acordo”, escreveu Ian Bremmer, presidente da consultoria Eurasia Group, em um artigo publicado na revista Time. 

    Caso Merkel não volte de Bruxelas com uma solução crível após os dois dias de cúpula, sua coalizão pode ruir. Se isso acontecer, seu partido perderá a maioria no parlamento, o que poderia resultar em novas eleições, e segundo lembrou Bremmer, pesquisas mostram que o CDU está menos popular do que nas eleições de setembro, quando obteve o percentual de votos mais baixo desde 1949 - em parte por causa da política migratória “de portas abertas”. 

    Mas nem tudo está perdido para Merkel. Como notado por Bremmer, Seehofer sabe que novas eleições neste momento podem fortalecer ainda mais os seus opositores na Bavária - o partido de extrema-direita AfD. Outro fator também entra em cena em seu favor, como o sólido apoio do CDU à sua administração. 

    Além disso, houve diminuição do registro de novos refugiados na Alemanha, passando de 720 mil em 2016 para 200 mil no ano seguinte. A União Europeia segue o mesmo caminho: segundo o EASO (Escritório Europeu de Apoio ao Asilo), o número de pedidos de asilo no bloco em 2017 foi de 728 mil, 44% menor do que em 2016. 

    Perante a probabilidade de os 28 membros da UE não conseguirem chegar a um acordo unânime em uma abordagem, Merkel disse que procuraria uma "coalizão de países dispostos a acordar medidas urgentes para combater a imigração ilegal até uma solução pan-europeia ser encontrada". 

    A política de portas abertas

    Em 2015 a Europa viu uma onda crescente de refugiados chegar em seu território. A maioria deles vindos da Síria, que vivia os piores momentos de uma guerra civil, hoje ainda em curso. Naquele ano, a chanceler alemã Angela Merkel adotou uma política de “portas abertas” para receber os imigrantes. O resultado foi mais de 1,4 milhão de pessoas cruzando a fronteira do país e cidadãos alemães descontentes com as decisões de seu governo. 

    Em 2016, um acordo firmado entre a União Europeia e a Turquia permitiu que a entrada de imigrantes diminuísse. Segundo dados da agência de migração da ONU (Organização das Nações Unidas), entre janeiro e junho, cerca de 50 mil pessoas pediram asilo em países da UE, um número que é apenas 19% do registrado no mesmo período em 2016. 

    Apesar da redução em seu número, os migrantes se tornaram um dos temas eleitorais mais urgentes na União Europeia, fomentando o crescimento da sigla nacionalista Alternativa para a Alemanha, por exemplo, e elegendo um governo populista para a Itália.

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