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Ail Bashar esconde o rosto em frente a câmeras no tribunal, ao lado de seu advogado, 10 de julho. Ele foi condenado à prisão perpétua por estuprar e matar uma jovem de 14 anos
Ail Bashar esconde o rosto em frente a câmeras no tribunal, ao lado de seu advogado, 10 de julho. Ele foi condenado à prisão perpétua por estuprar e matar uma jovem de 14 anos| Foto: Boris Roessler / POOL / AFP

Um iraquiano que solicitou asilo, mas teve a demanda rejeitada, foi condenado à prisão perpétua na Alemanha pelo estupro e assassinato de uma adolescente, um caso que alimenta o discurso anti-imigração no país.

Ali Bashar, de 22 anos, foi declarado culpado pelo estupro e assassinato de Susanna Feldmann, de 14 anos, em 23 de maio de 2018 em Wiesbaden, no oeste da Alemanha. O tribunal também privou Bashir da possibilidade de solicitar liberdade condicional após 15 anos em consequência da gravidade do crime.

O juiz considerou que Bashar, que por duas vezes se desculpou com a família da jovem, não "demonstrou arrependimento sincero" e cometeu o crime a "sangue frio".

Embora o réu tenha reconhecido o assassinato perante os juízes, negou o estupro e assegurou que as relações sexuais com a adolescente, a quem conhecia, foram consentidas. O corpo de Susanna foi encontrado duas semanas depois de ser enterrado perto de uma linha de trem, a uma curta distância da casa onde o assassino vivia com seus pais, irmãos e irmãs.

Ali Bashar também é julgado, a portas fechadas, pelo suposto estupro de uma menina de 11 anos com um cúmplice, um refugiado afegão de 14 anos.

Durante os quatro meses de audiência, uma especialista em psiquiatria descreveu Bashar como um homem que considera as mulheres como "prostitutas", cujo lugar é na cozinha.

Após seu crime, Bashar, que chegou à Alemanha em 2015, fugiu para o Iraque com sua família sem ser inspecionado na fronteira. Policiais alemães enviados ao Curdistão iraquiano o trouxeram de volta em 9 de junho de 2018 - Bagdá não autorizou sua extradição.

O caso alimentou o debate na Alemanha sobre a recepção de centenas de milhares de refugiados, a quem a chanceler Angela Merkel abriu as portas do país em 2015. A extrema direita tentou usar o caso para criticar a política migratória de Merkel.

Um deputado do partido anti-imigrante Alternativa para a Alemanha (AfD) esteve presente no tribunal durante a leitura do veredicto.

Dois dias após a descoberta do corpo de Susanna Feldmann, os deputados do AfD fizeram um minuto de silêncio no Parlamento em memória da adolescente.

Perto da cena do crime foram deixadas mensagens como "Susanna, 14 anos, vítima da tolerância" e "A única responsável pela sua morte é Angela Merkel". A chanceler disse que o caso foi um "assassinato abominável" e pediu firmeza da justiça.

A investigação também revelou sérios erros por parte das autoridades. Ali Bashar, a quem foi negado asilo em dezembro de 2016, aguardava a revisão de seu recurso um ano e meio depois. Ele também havia sido preso e libertado várias vezes por atos criminosos meses antes do assassinato.

A mãe da vítima, Diana Feldmann, acusou a polícia de negligência por não levá-la a sério quando relatou o desaparecimento de sua filha - ela foi, sozinha, em busca da jovem. (Com agências internacionais)

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