Manifestante israelense pendura cartaz pedindo a libertação do cabo Shalit, que está há dois anos em poder do Hamas | Ronen Zvulun/Reuters
Manifestante israelense pendura cartaz pedindo a libertação do cabo Shalit, que está há dois anos em poder do Hamas| Foto: Ronen Zvulun/Reuters

Jerusalém - Israel anunciou que só reabrirá as fronteiras da Faixa de Gaza depois que o Hamas libertar o cabo Gilad Shalit, sequestrado há mais de dois anos. A exigência contraria o rumo seguido até agora nas negociações, mediadas pelo Egito, sobre um cessar-fogo duradouro em Gaza após o conflito encerrado em 18 de janeiro.

O plano egípcio previa o levante do bloqueio imposto por Israel a Gaza desde que o Hamas assumiu o controle do território palestino, em junho de 2007. Em troca, o grupo islâmico aceitaria o retorno da Autoridade Nacional Palestina (ANP), único interlocutor reconhecido por Israel, aos postos de fronteira, e poria fim aos disparos de foguetes contra o território israelense.

As conversas sobre trocas de prisioneiros vinham sendo feitas paralelamente. O Hamas condiciona a entrega de Shalit, de 22 anos, sequestrado em junho de 2006 na fronteira entre Gaza e Israel, à libertação de 1.400 palestinos em prisões israelenses, incluindo parlamentares do grupo eleitos em 2006.

Após uma reunião, o gabinete israelense concluiu que "seria inconcebível aceitar uma trégua e a abertura de passagens em Gaza sem a libertação de Shalit'', disse o ministro do Interior, Meir Sheetrit. O premier Ehud Olmert disse que Israel "continuará os esforços humanitários'' para a entrada de suprimentos em Gaza, mas ressaltou que a reabertura das fronteiras "será discutida quando Shalit for libertado''.

O Egito também mantém fechado seu posto de fronteira com o território, em Rafah.

Olmert tenta aproveitar os seus últimos dias no poder – até que seja formado o novo governo, após as eleições gerais do último dia 10 – para obter a libertação de Shalit, cujo caso é motivo de comoção nacional.

O Hamas acusou Israel de "usar o caso de Shalit com fins políticos'' e considerou o anúncio uma "facada nas costas'' do plano egípcio. O ditador do Egito, Hosni Mubarak, insistiu em que o caso de Shalit é "um tema separado das negociações sobre a trégua''.

A decisão de vincular a troca de prisioneiros à trégua foi criticada pelo principal negociador de Israel com o Egito, o general Amos Gilad. "De repente eles (o governo) inverteram a ordem das coisas, de repente querem antes receber Gilad (Shalit). Estão tentando ofender os egípcios? É assim que esperam receber Gilad? Isso é uma loucura.''

Ajuda

Enquanto a negociação com o Hamas permanece difícil, o primeiro-ministro palestino Salam Fayyad, do governo do Fatah na Cisjordânia, rival do Hamas, anunciou um plano para enviar dinheiro para reconstruir a Faixa de Gaza. O dinheiro, segundo ele, será entregue diretamente à população do território e não ao Hamas, através dos bancos que têm agências em Cidade de Gaza.

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