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Zhang Zhan foi condenada a quatro anos de prisão em dezembro após fazer reportagens em Wuhan e está com a saúde fragilizada devido à greve de fome
Zhang Zhan foi condenada a quatro anos de prisão em dezembro após fazer reportagens em Wuhan e está com a saúde fragilizada devido à greve de fome| Foto: Reprodução/Twitter

Grupos de defesa dos direitos humanos e liberdade de imprensa divulgaram nesta semana o relato da família de uma jornalista da China, presa no início da pandemia de Covid-19 após ter feito reportagens questionando a forma como a ditadura chinesa lidou com o assunto. Zhang Zhan, de 38 anos, estaria “perto da morte” após meses de greve de fome e precisando com urgência de tratamento médico.

Zhang foi condenada a quatro anos de prisão em dezembro após retratar em redes sociais no início de 2020 a realidade em Wuhan, cidade chinesa onde foram registradas as primeiras contaminações pelo novo coronavírus: ex-advogada, ela mostrou como funcionários do governo chinês estavam prendendo repórteres independentes e assediando famílias de pacientes com Covid-19.

“Zhang Zhan, que nunca deveria ter sido presa em primeiro lugar, agora parece estar correndo sério risco de morrer na prisão. As autoridades chinesas devem libertá-la imediatamente para que ela possa encerrar sua greve de fome e receber o tratamento médico adequado de que desesperadamente precisa”, afirmou Gwen Lee, ativista da China na Anistia Internacional.

“O processo do governo chinês contra Zhang Zhan, simplesmente porque ela tentou descobrir o que estava acontecendo em Wuhan em meio a um enorme sigilo do governo sobre a pandemia, é um ataque vergonhoso aos direitos humanos.”

De acordo com a Anistia Internacional, Zhang desapareceu em Wuhan em maio de 2020; mais tarde, soube-se que ela havia sido condenada num julgamento simulado em Shangai por “brigar e provocar problemas”.

A jornalista havia iniciado em junho de 2020 uma greve de fome em protesto contra sua prisão. No julgamento, em dezembro, estava tão fraca que compareceu ao tribunal em uma cadeira de rodas.

Ainda segundo as informações da Anistia Internacional, Zhang foi alimentada à força antes do julgamento pelas autoridades chinesas, que a impediram de remover um tubo de alimentação. Também a teriam forçado a usar algemas e acessórios para imobilização das mãos durante 24 horas por dia durante mais de três meses, como punição pela greve de fome.

Zhang chegou a ser internada no final de julho deste ano devido à desnutrição grave, mas depois foi levada de volta à prisão e continua em greve de fome parcial. A família relatou que ela foi impedida de falar com seu advogado e de se encontrar com parentes desde o julgamento. Apenas telefonemas e chamadas de vídeo supervisionados foram permitidos.

Outras duas organizações, a Repórteres Sem Fronteiras e a Human Rights Watch, também divulgaram mensagens exigindo a libertação de Zhang Zhan. “Pedimos à comunidade internacional que pressione o regime chinês para que liberte Zhang Zhan antes que seja tarde demais. Ela cumpriu apenas seu dever de jornalista e nunca deveria ter sido presa, muito menos condenada a quatro anos de prisão”, afirmou Cédric Alviani, diretor do escritório da Repórteres Sem Fronteiras no Leste Asiático.

“O governo chinês precisa ser responsabilizado por permitir que mais uma crítica pacífica adoeça gravemente enquanto estava injustamente presa”, disse Yaqiu Wang, pesquisadora sênior da Human Rights Watch para a China. “Os governos devem pedir a libertação urgente de Zhang Zhan para evitar que uma situação já terrível se torne trágica.”

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