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"O problema não é o Hamas, mas a liderança política de Israel que se utiliza disso como desculpa para atacar", disse Richard Falk, relator especial da ONU sobre Direitos Humanos, nesta quarta-feira (7) à tarde, em São Paulo. Durante coletiva de imprensa organizada pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, abordou a invasão de Israel à Faixa de Gaza.

Falk acredita que os foguetes lançados pelo Hamas, principalmente antes da invasão israelense, foram inúteis. "Israel usou dois argumentos para os recentes ataques: não existe crise humanitária e o caráter defensivo", explica. O relator especial acredita que o Hamas deveria deixar de atacar. "O lançamento de foguetes – por parte do grupo palestino - contra civis é ilegal e imoral, e ainda cria uma desculpa política para o que Israel vem fazendo".

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Ele completou afirmando que é compreensível que o país queira impedir esses lançamentos de foguetes, mas que os palestinos estão sem condições alguma de se defender. "Foram mais de 18 meses de bloqueios na fronteira feitos por Israel", diz. Comida, água e medicamentos eram impedidos de passar para a Faixa de Gaza. Além dos problemas físicos, a população já sofria com a fragilidade psicológica.

Detido em Israel

O relator especial da ONU desembarcou no Brasil para passar o réveillon após uma mal sucedida viagem para Israel. Em dezembro, iria se encontrar com o presidente palestino Mahmoud Abbas, mas foi detido com outras cinco pessoas por 15 horas no aeroporto de Israel. Em seguida, expulso do país. "Quem critica a ocupação não é recebido por Israel", conclui. Seu objetivo era relatar o que ocorre na Faixa de Gaza. "Esse ocorrido não fará eu renunciar ao meu cargo".

Segundo Falk, Israel rompeu a trégua que o Hamas buscava em troca das fronteiras voltarem a ser como em 1967. Ele afirma que muitas pessoas tentam fugir da guerra na Faixa de Gaza. "A ausência de refugiados mostra que Israel impôs tal força que ninguém pode sair de Gaza. Israel comete um crime contra a humanidade e deve ser punida por isso", afirma. Como o país não faz parte do Tribunal Penal Internacional, seria necessário criar uma corte especial para o julgamento.

Nações Unidas e Barack Obama

Por que a comunidade internacional e as Nações Unidas têm feito tão pouco? "As Nações Unidas só agem de maneira eficaz quando seus principais membros desejam. A oposição dos Estados Unidos contra a proteção dos palestinos fez com que as Nações Unidas não cumpra sua própria carta. Ela deveria exigir trégua, retirada das tropas e fim do bloqueio imediatos", explica. Em seguida, gostaria que o povo palestino decidisse sua condição.

Segundo Falk, as eleições na Palestina foram umas das mais legítimas que ocorreram na região. Do outro lado, em Israel, a opinião pública de modo geral acompanha as campanhas governo. "Isso mostra que os candidatos à eleição têm forte apelo militar", diz.

Com relação ao novo presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama: "É difícil dizer que tipo de política ele faria, acredito que tentará usar as Nações Unidas de modo mais construtivo, exceto em Israel e na Palestina devido às inúmeras pressões internas".

De qualquer maneira, Falk acredita ser inútil intitular o Hamas como um grupo terrorista. "Isso é fuga da diplomacia, uma justificativa para usar a força", conta. O que o governo brasileiro pode fazer para colaborar com a paz? "Espero que o Brasil não considere esse um problema entre a Palestina e Israel um fato distante", finaliza.

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