Beirute – O governo do Líbano aprovou ontem um projeto de resolução da ONU que estabelece a criação de um tribunal internacional para julgar os assassinos do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, morto em um atentado a bomba em 14 de fevereiro de 2005, junto a outras 22 pessoas.

Uma investigação da ONU envolveu importantes funcionários sírios e seus aliados libaneses no assassinato, mas o governo de Damasco negou qualquer envolvimento na morte do ex-primeiro-ministro anti-Síria. A criação do tribunal foi aprovada apesar da ausência de seis ministros, todos pró-sírios, que apresentaram sua renúncia, e da objeção do presidente libanês, Émile Lahoud. O presidente disse em comunicado que o governo do premier libanês, Fouad Siniora, não era legítimo porque a Constituição reza que "todas as seitas devem ser representadas justamente no gabinete".

No sábado, todos os cinco ministros xiitas dos grupos Amal e Hezbollah apresentaram a renúncia em meio a uma disputa com o premier, depois de exigirem uma maior participação política na tomada de decisões.

Lahoud acrescentou que todas as decisões tomadas pelo governo, incluindo a de ontem, devem ser consideradas "sem efeito" por não terem valor constitucional, uma vez que um artigo da Constituição garante a distribuição de poder entre os cristãos e os muçulmanos xiitas e sunitas. Ontem, o ministro do Meio Ambiente libanês, Jaacob Sarraf, um cristão greco-ortodoxo próximo a Lahoud, também renunciou ao cargo.

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