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Manifestantes enfrentam homens da Polícia Nacional Bolivariana na região de Chacao, em Caracas | Miguel Gutierrez/Efe
Manifestantes enfrentam homens da Polícia Nacional Bolivariana na região de Chacao, em Caracas| Foto: Miguel Gutierrez/Efe

Repercussão

Para União Europeia, perseguição de rivais ignora a democracia

Folhapress

A União Europeia considera que as cassações da deputada venezuelana Maria Corina Machado e de alguns prefeitos de oposição no país desrespeitaram processos legais aceitáveis.

"A cassação de uma deputada sem nenhum processo legal e a destituição de prefeitos em bases que não são claras não foram algo apropriado e compatível com padrões democrático básicos", diz Christian Leffler, diretor para as Américas do serviço diplomático do bloco europeu.

"São exemplos de ações que provocaram preocupação muito grande na Europa", acrescenta o diplomata, responsável por assuntos do continente americano.

Segundo ele, o aumento da violência no país, que já deixou quase 40 mortos desde fevereiro, é uma demonstração de que o governo de Nicolás Maduro não tem sabido lidar com manifestações de rua que são "perfeitamente legítimas".

"Dissemos do momento em que Maduro foi eleito que era essencial que ele olhasse para todos os setores da sociedade, porque o resultado da eleição foi muito apertado", declarou, em referência à margem de vitória na eleição de abril sobre o opositor Henrique Capriles, de 50,6% a 49,1% no segundo turno.

Na visão da diplomacia europeia, "há muitos relatos de violência excessiva pela polícia e pelas forças de ordem pública".

Embora reconheça que a violência vem de todas as partes, o diplomata afirma que o governo Maduro precisa coibir excessos, mas assegurar o direito de as pessoas protestarem.

18 de fevereiro foi o dia em que o político opositor Leopoldo López se entregou às autoridades Venezuela, depois de participar de uma manifestação a seu favor. O presidente Maduro o responsabilizou pelos protestos violentos ocorridos no dia 12 de fevereiro, que tiveram um saldo de três mortos.

  • Leopoldo López, no dia em que se entregou à polícia

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Dias, indiciou o líder da oposição Leopoldo Lopez por quatro crimes, incluindo incitação criminosa. Lopez está preso em cárcere militar desde o mês passado e, caso seja condenado, sua pena poderá ser de 13 anos de prisão.

Lopez é acusado pelas autoridades de promover atos violentos no dia 12 de fevereiro, data em que uma manifestação de opositores ao governo do presidente Nicolás Maduro terminou com três mortes, 66 feridos e 69 prisões. Segundo o governo, discursos e declarações realizados pelo acusado dias antes do protesto teriam incitado a população ao crime. Lopez se entregou às autoridades no dia 18 de fevereiro, cercado por milhares de apoiadores.

O ex-prefeito de Chacao, cidade da região metropolitana de Caracas, também é acusado de danos à propriedade, incêndio e formação de quadrilha.

Críticos do governo dizem que o líder conservador está mantido preso sob acusações inventadas. Os apoiadores de Lopez organizaram uma marcha em Caracas ontem até o Palácio de Justiça para exigir sua libertação.

Nas últimas sete semanas, os confrontos violentos entre manifestantes e forças do governo deixaram ao menos 35 pessoas mortas, outras 608 feridas e mais de 2 mil detidos, dos quais 192 permanecem presos e sujeitos a processos judiciais.

Mortes

A procuradora-geral Luisa Ortega confirmou ontem que 39 mortes foram registradas nos protestos contra o governo de Nicolás Maduro desde 12 de fevereiro, duas a mais desde o último número oficial divulgado, na semana passada.

"Temos 39 mortos em atos violentos: 31 são civis e oito funcionários policiais e militares", anunciou Ortega em entrevista coletiva na sede do Ministério Público.

Ela anunciou também que o número de feridos aumentou para 608, dos quais 414 são civis e 194, integrantes das forças de segurança.

Ortega indicou que seu escritório se encontra investigando 102 casos por suposta violação dos direitos humanos, dos quais 95 são por tratamento cruel, três por homicídio consumado, dois por tortura e mais dois por homicídio frustrado.

A Venezuela vive sob uma onda de manifestações contra o governo há quase dois meses, muitas delas lideradas por estudantes e parte da oposição e que, em alguns casos, terminaram em atos de violência.

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