O governo libanês do primeiro-ministro Fouad Siniora, apoiado pelo Ocidente, será em breve substituído por um gabinete "limpo", segundo o líder do grupo xiita Hezbollah, xeique Hassan Nasrallah.

Mas ele tentou afastar os temores de que o Líbano esteja às portas de uma guerra civil, pois segundo ele o Hezbollah vai preservar a estabilidade.

Seis ministros do grupo e de partidos aliados se demitiram desde o fim de semana, por não conseguirem um efetivo poder de veto dentro do gabinete de coalizão.

- Esse governo vai sair - disse Nasrallah a seguidores no domingo, segundo o jornal "As-Safir". - Não temos ligação com ele depois da demissão [dos ministros]. Haverá um novo governo - afirmou, acrescentando que o primeiro-ministro Fouad Siniora tem "credibilidade zero".

Nasrallah disse que um "governo limpo" vai reconstruir o Líbano, arruinado pelos 34 dias de guerra deste ano entre o Hezbollah e Israel.

Segundo o jornal "Al-Akhbar", Nasrallah disse na reunião que o Hezbollah já gastou US$ 300 milhões para ajudar pessoas que perderam suas casas na guerra - houve cerca de 15 mil lares destruídos e 30 mil outros danificados.

De acordo com o jornal, o xeique teria anunciado que o dinheiro foi entregue pelo dirigente supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, líder espiritual de muitos xiitas libaneses e, como tal, responsável por distribuir aos necessitados a ajuda doada por muçulmanos ricos.

A demissão dos ministros agravou uma crise que se arrastava desde o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Al Hariri, em 2005, e que piorou com a guerra com Israel, em meados deste ano.

Esvaziado, o gabinete agora é composto principalmente por ministros anti-sírios, que na segunda-feira aprovaram o estatuto redigido pela ONU para o tribunal que julgará os supostos assassinos de Hariri. Investigações internacionais apontam a Síria como suspeita pelo crime, o que Damasco nega.

O Hezbollah ameaçou levar seus militantes às ruas para exigir mais poderes no governo. Os líderes anti-sírios responderam com promessas de convocar suas próprias manifestações, o que cria temores de que haja violência.

- Há os que tentam exagerar [a possibilidade de confrontos] - disse Nasrallah. - Este é o nosso país, e demos dezenas de milhares de mártires e feridos para protegê-lo. Não vamos jogar isso fora, vamos preservar a paz civil e a estabilidade.

O Hezbollah e o seu aliado Movimento Amal têm amplo apoio entre os xiitas, maior comunidade do Líbano.

Eles também são aliados do líder cristão Michel Aoun, que foi eleito para o Parlamento no ano passado, mas não aderiu ao governo.

A coalizão anti-síria reúne sunitas, druzos e outros líderes cristãos. Ela obteve maioria na eleição realizada logo após o fim de 29 anos de ocupação militar síria, em abril de 2005, o que foi conseqüência da pressão interna e externa depois do assassinato de Hariri.

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