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O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quarta-feira que está disposto a dar mostras de flexibilidade nas negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio), se os países industrializados reduzirem as barreiras e os subsídios que distorcem o comércio agrícola mundial.

"O Brasil tem demonstrado interesse em concluir bem a Rodada de Doha. Estamos preparados para ser flexíveis, se os países industrializados abrirem suas portas aos produtos agrícolas das nações em desenvolvimento", declarou o presidente Lula durante o fórum de empresários europeus e brasileiros em Lisboa, pouco antes do início da primeira cúpula entre a União Européia (UE) e o Brasil.

Com o fracasso da reunião do G4, integrado por Brasil, Índia, UE e EUA, mês passado, em Potsdam, Alemanha, as negociações foram novamente paralisadas na OMC.

"Não podemos aceitar que esta estagnação continue. Estaríamos colocando em xeque o sistema multilateral de comércio como um todo, com prejuízos enormes para os países mais pobres", enfatizou o presidente Lula.

"Mas para que esta seja efetivamente uma rodada de desenvolvimento, não podemos, como em rodadas anteriores, privilegiar a liberalização dos setores de maior interesse dos países altamente industrializados", acrescentou.

Segundo Lula, "é hora de nivelar a quadra e igualar as regras aplicáveis ao comércio dos bens industriais àquelas dedicadas ao comércio os bens agrícolas".

"Em especial, não podemos permitir que esta rodada seja concluída sem que haja uma redução efetiva e substancial de todas as formas de subsídios e barreiras que distorcem o comércio agrícola", concluiu.

Sobre a denúncia de Lula de que UE e EUA pediram muito e ofereceram em troca, em Potsdam, o comissário do Comércio europeu, Peter Mandelson, disse nesta quarta-feira que quem explicou ao presidente brasileiro a proposta agrícola entendeu "tudo ao contrário".

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, se reuniu nesta quarta-feira com Mandelson, durante mais de duas horas, num hotel em Lisboa, mas ainda não deu declarações à imprensa.

"Continuaremos trabalhando para nos assegurar de que a agenda do desenvolvimento de Doha entre nos trilhos novamente," declarou por sua vez o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, no mesmo fórum empresarial. "A UE não se rendeu", esclareceu.

Segundo o primeiro-ministro português e presidente em exercício da UE, "é preciso buscar mais justiça na globalização e mais equilíbrio".

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