Cartaz entre postes de Hong Kong pede desculpa pelo “incômodo” causado pelos protestos | Dennis M. Sabangan/Efe
Cartaz entre postes de Hong Kong pede desculpa pelo “incômodo” causado pelos protestos| Foto: Dennis M. Sabangan/Efe

Participantes dos protestos pró-democracia em Hong Kong anunciaram, antes que expirasse o ultimato do governo, o fim das manifestações em alguns pontos da cidade-Estado, apesar de continuarem com o movimento ao redor de prédios do executivo que comanda a região administrativa chinesa.

"As multidões que há uma semana ocupavam o bairro comercial de Mong Kok deixarão o local em direção ao bairro dos ministérios — onde se encontram outros manifestantes", anunciou o Occupy Central, principal coalizão pró-democracia, por meio do Twitter.

Os grupos pró-democracia também anunciaram que abrirão a Lung Wo Road para a circulação, uma das principais vias da cidade, até agora bloqueada, para permitir que milhares de pessoas retornem ao trabalho hoje, após uma semana de paralisação em função das manifestações e de dois dias de comemorações da festa nacional chinesa.

No entanto, a decisão não foi imediatamente obedecida pelos estudantes, o outro grande grupo por trás do movimento. De fato, a Occupy Central indicou, um pouco mais tarde, que a via, brevemente evacuada, havia sido outra vez ocupada.

O chefe do executivo local, Leung Chun-ying, considerado uma "marionete" de Pequim pelos manifestantes que brigam por maior liberdade política, lançou, na noite de ontem, um ultimato para que os militantes se dispersassem e voltassem para casa.

Chun-ying expressou a determinação das autoridades para "tomar todas as medidas necessárias para restabelecer a ordem pública". "É preciso permitir que os 7 milhões de habitantes de Hong Kong voltem para uma vida normal e para o trabalho", afirmou.

No sábado, líderes estudantis aceitaram retomar o diálogo com o governo local. O principal sindicato estudantil de Hong Kong, que suspendeu as negociações com o governo diante da falta de ação da polícia durante os ataques contra os manifestantes na sexta-feira, admitiu se reunir com as autoridades caso a omissão da polícia fosse investigada.

Houve ainda acusações de conluio entre as autoridades de Hong Kong e a "tríade", a máfia chinesa, mas elas foram firmemente negadas pelo governo honconguês.

Autoridade

Protestos representam o maior desafio de Pequim desde 1989

Os protestos pró-democracia em Hong Kong, um dos principais centros financeiros da Ásia, são vistos como o maior desafio à autoridade de Pequim desde as manifestações de 1989 na Praça de Tiananmen, também chamada de Praça da Paz Celestial. Há dez dias os manifestantes vêm bloqueando os principais cruzamentos da área central do território e acampando diante da sede do governo local. O principal motivo das manifestações são as mudanças propostas pela China que limitariam o número de candidatos para a eleição de 2017 do chefe executivo de Hong Kong — que também seriam pré-selecionados por Pequim. Os protestos, que continuavam ontem em Hong Kong, destacaram os ataques de Pequim à liberdade de expressão, assim como a crescente influência das autoridades chinesas no cotidiano dos 7 milhões de moradores do território.

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