As autoridades paquistanesas prenderam um médico por suspeita de violar a Lei da Blasfêmia do país, segundo informou neste domingo (12) a polícia. O médico teria jogado fora um cartão de visitas de um homem que tem o mesmo nome do profeta do Islã, Maomé (Muhammad). A Lei da Blasfêmia tem sido amplamente criticada por grupos de direitos humanos, depois do caso de Asia Bibi, uma cristã sentenciada à morte no mês passado por insultar o Islã.

Os críticos dizem que a lei deveria ser alterada ou revogada, pois geralmente é usada para resolver pendências, perseguir minorias e apoiar o extremismo religioso. Naushad Valiyani, um medico islâmico da cidade de Hyderabad foi preso na sexta-feira (10), diante de reclamações feitas para a polícia de que suas ações insultaram o profeta Maomé, informou o chefe de polícia regional Mushtaq Shah.

O caso começou na sexta-feira, quando Muhammad Faizan, representante de uma empresa farmacêutica, visitou a clínica de Valiyani e deu a ele seu cartão de visitas. Ele disse que o médico jogou o cartão fora, foi à polícia e fez a queixa, citando que possuía o mesmo nome do profeta. Shah disse que a polícia está investigando se Valiyani deverá ser acusado de blasfêmia.

Dezenas de paquistaneses são sentenciados à morte sob a Lei da Blasfêmia, embora nenhuma execução tenha sido realizada. No caso de Bibi, um clérigo disse que se o governo não executá-la, sua mesquita pagará US$ 5,8 mil para qualquer um que assassinar a mulher. A família de Bibi, mãe de cinco filhos, insiste que ela foi falsamente acusada a partir de uma disputa pessoal.

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