É um procedimento delicado. Os médicos vão extrair um tumor maligno do rim de um homem, no Hospital Henry Ford, em Detroit (EUA). Tudo está pronto para o início da difícil operação - inclusive o membro da equipe que ficará responsável por reportar tudo que está rolando, via Twitter.

      "Aqui vai algo diferente: HenryFordNews está 'twittando' ao vivo uma cirurgia hoje, e atraindo atenção", comentou um dos usuário. "É um uso interessante da tecnologia, mas não posso evitar de me sentir um pouco 'eeewww!' com relação a isso", comentou outro.

      E não é para menos. Operações cirúrgicas delicadas são procedimentos que parecem exigir 100% da atenção dos médicos. Por que diabos eles gostariam de usar o Twitter? OK, trata-se de uma ferramenta em ascensão na web, que funciona como uma espécie de "messenger" em que a pessoa fala sozinha, e quem quiser pode "segui-la" e ler o que ela diz (mais ou menos como um blog, só que com posts de uma linha).

      Ainda assim, para que seria útil narrar, ao vivo, o andamento de uma cirurgia? "A audiência que estamos mirando primariamente é o público geral, não-médico, que é curioso sobre novas tecnologias médicas", explicou ao G1 Craig Rogers, cirurgião-chefe do Hospital Henry Ford, enfatizando que o procedimento não tem função didática. "Médicos, residentes e estudantes de medicina provavelmente vão querer ver o vídeo da cirurgia, em vez de ler uma descrição dela."

      Rogers assegura seus pacientes - assim como leitores - que o Twitter não é um elemento prejudicial a seu desempenho como médico. "Não é uma distração para mim porque eu tinha um residente no computador lendo as perguntas para mim e digitando minhas respostas", revela. "Eu geralmente falo sobre a cirurgia conforme o caso avança, então não foi uma grande mudança. Além disso, meu residente-chefe está muito familiarizado com os procedimentos robóticos da cirurgia de rim que eu faço e foi capaz de responder algumas das perguntas mais diretas e fazer a narração dos passos básicos para minimizar a interrupção."

      O esforço está ganhando atenção da comunidade médica. "Recebemos sinais positivos deles, de que esse parece ser um jeito barato de informar e envolver o público no que fazemos", afirma Rogers.

      Twitter e ciência

      A ideia da equipe de Rogers no Henry Ford está incluída num contexto maior. Aparentemente, o mundo da ciência está invadindo o Twitter.

      A Nasa, agência espacial americana, por exemplo, tem diversos canais no Twitter - desde um geral, que apresenta todas as novidades do órgão (http://twitter.com/nasa), a outros mais específicos, que acompanham individualmente algumas das missões mais populares da Nasa, como a da sonda Cassini em órbita de Saturno (http://twitter.com/CassiniSaturn).

      Em todos os casos, entretanto, os "textos" evidenciam um esforço que é mais de divulgação do que de ensino. É quase como uma forma de reter a atenção de um público cada vez mais disperso e bombardeado por múltiplas informações, em múltiplos formatos. E tem dado certo: milhares de pessoas "seguem" a Nasa diariamente no Twitter e acabam clicando em links que levam a textos que, naturalmente, têm mais de uma linha.

      Quanto aos médicos de Detroit, a próxima cirurgia que eles pretendem transimitir ao vivo, via Twitter, está marcada para o próximo dia 6. A página deles na ferramenta pode ser encontrada aqui (http://twitter.com/henryfordnews).

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