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saúde pública

Médicos canadenses lutam para não receber aumento. Saiba por quê

Movimento da classe médica em Quebec começou depois que uma postagem sobre as péssimas condições de trabalho dos enfermeiros viralizou na internet

  • Amy B Wang
  • Washington Post
Entre estudantes de medicina, residentes e médicos, mais de 800 pessoas assinaram a petição que pede o cancelamento do aumento dos salários | Pixabay
Entre estudantes de medicina, residentes e médicos, mais de 800 pessoas assinaram a petição que pede o cancelamento do aumento dos salários Pixabay
 
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Centenas de médicos em Quebec estão protestando contra o aumento de seus salários, afirmando que já ganham muito dinheiro. Quase 900 médicos, residentes e estudantes de medicina da província canadense haviam assinado uma petição online até esta segunda-feira (12) pedindo que seus reajustes salariais fossem cancelados. Um grupo chamado Médecins Québécois Pour le Régime (MQRP), que representa médicos e advogados do Quebec na saúde pública, iniciou a petição em 25 de fevereiro. 

"Nós, médicos do Quebec que acreditamos em um sistema público forte, nos opomos aos recentes aumentos salariais negociados pelas nossas federações médicas", diz a petição escrita em francês. 

O grupo de médicos disse que não poderia, em sã consciência, aceitar os aumentos salariais enquanto as condições de trabalho continuassem difíceis para outros profissionais da mesma área - incluindo enfermeiros e atendentes - e enquanto os pacientes "convivessem com a falta de acesso aos serviços por causa de cortes drásticos [na saúde] nos últimos anos". 

Nos últimos meses, um sindicato de enfermeiros do Quebec tem levado o governo a enfrentar uma falta de profissionais de enfermagem, os quais lutam pela criação de uma lei para limitar o número de pacientes que podem ser atendidos por um único enfermeiro. Segundo o sindicato, os profissionais estavam sobrecarregados e fizeram vários protestos pacíficos para promover melhores condições de trabalho.

Leia também: Milhões abrem mão do Bolsa Família e dão lição sobre auxílio-moradia de juízes

Crítica nas redes

Em janeiro, a situação foi resumida em uma publicação viral do Facebook por uma enfermeira chamada Émilie Ricard, que publicou uma foto de si mesma, com o olhar marejado, depois do que ela disse que ter sido um plantão extenuante. Ricard disse que era a única enfermeira a cuidar de mais de 70 pacientes no andar do hospital onde trabalha. Ela estava tão estressada que tinha cãibras que a impediam de dormir. 

"Esta é a face da enfermagem", escreveu Ricard, criticando o ministro da Saúde do Québec, Gaétan Barrette, que considerou as recentes mudanças no sistema de saúde um sucesso. 

"Não sei onde você buscou suas informações, mas elas não representam a realidade da enfermagem", escreveu a enfermeira. Ela acrescentou mais tarde: "Estou desolada pela minha profissão, tenho vergonha da pobreza dos cuidados que presto na medida do possível. Meu sistema de saúde está doente e morrendo". 

A publicação de Ricard já foi compartilhada mais de 55.000 vezes.

“Sempre há dinheiro para os médicos, mas e os outros que cuidam dos pacientes?" disse Nancy Bédard, presidente do sindicato de enfermagem do Quebec.

Salários

Enquanto isso, em fevereiro, a federação de especialistas médicos do Quebec chegou a um acordo com o governo para aumentar os salários anuais dos 10 mil especialistas médicos da província em cerca de 1,4%, ou de US $ 4,7 bilhões para US $ 5,4 bilhões em 2023, conforme informou a Canadian Broadcasting Corporation, rede pública de televisão do Canadá. O salário médio para um especialista em Quebec já é alto - US$ 403.537 por ano - em comparação com os US$ 367.154 pagos aos médicos na província vizinha de Ontário. 

"A única coisa que parece ser imune aos cortes [do sistema de saúde] são os nossos salários", afirmou a petição do MQRP, o grupo de médicos.

"Ao contrário das declarações do primeiro-ministro, acreditamos que existe uma maneira de redistribuir os recursos do sistema de saúde do Quebec para promover a saúde da população e atender às necessidades dos pacientes sem pressionar os trabalhadores". 

O documento termina pedindo que os aumentos salariais sejam cancelados e que o dinheiro seja redistribuído em todo o sistema de saúde do Quebec.  

Não está claro o que será da petição. Barrette, o ministro da saúde, abordou a questão pouco depois de a iniciativa ter começado. "Se eles acham que são pagos em excesso, eles podem deixar o dinheiro na mesa", ele disse em 26 de fevereiro. "Eu garanto-lhe que posso fazer bom uso dele". 

Barrette também disse que a questão das condições de trabalho para o pessoal médico, como os enfermeiros, era algo "que devia ter nossa atenção total", de acordo com o Toronto Star. "Temos o dinheiro para lidar com isso", disse ele ao jornal. "Isso não significa que temos montantes infinitos de dinheiro, mas temos a capacidade de resolver essa questão de uma vez por todas".

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