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Foto de arquivo, tirada em 2 de dezembro de 2018: crianças choram quando um grupo de migrantes da América Central se rende aos agentes da Patrulha de Fronteira dos EUA após pular a barreira de metal que separa Playas de Tijuana, no México, dos Estados Unidos| Foto: GUILLERMO ARIAS/AFP

Quando a American Civil Liberties Union (Aclu) apresentou na semana passada sua ação judicial mais recente sobre a situação de crianças separadas de seus pais na fronteira dos EUA, o que mais chamou atenção da imprensa foi um número: 545, o número de crianças cujos pais ainda não foram localizados.

O candidato democrata à presidência, Joe Biden, disse que isso era "criminoso" durante o debate presidencial de quinta-feira passada. O presidente Donald Trump se esquivou de uma pergunta sobre como as famílias serão reunidas. “Estamos tentando muito”, disse ele, depois de anunciar o aumento da segurança na fronteira durante seu mandato.

Mas há alguns números que receberam significativamente menos atenção na maioria das reportagens sobre a briga legal da Aclu: 485, o número de crianças cujos pais foram localizados e 0, número desses pais que quiseram que seus filhos voltassem para casa .

Chase Jennings, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, disse em uma declaração que o departamento "tomou todas as medidas para facilitar a reunificação dessas famílias onde os pais queriam que ocorresse".

“O simples fato é este: depois que o contato foi feito com os pais para reuni-los com seus filhos, muitos pais se recusaram”, disse ele, observando que “das 485 crianças que o advogado dos queixosos conseguiu contatar, eles ainda não identificaram uma única família que queira que seu filho se reúna a eles em seu país de origem”.

A campanha de Trump pegou nesse ponto da discussão. Durante uma aparição no programa "New Day" da CNN na sexta-feira, o porta-voz da campanha de Trump, Tim Murtaugh, chamou as contínuas separações familiares de "uma situação lamentável", mas acrescentou que o processo de localizar e reunir famílias não é tão fácil quanto Biden e a imprensa faz parecer.

“Quando eles estão localizados nesses outros países, em muitos casos … os pais não querem que os filhos sejam mandados de volta para eles em seus países de origem”, disse Murtaugh.

Mas não é porque esses pais não querem se reunir com seus filhos. Eles esmagadoramente querem revê-los. Acontece que eles não querem se reunir em seus países de origem. Em vez disso, eles querem se reunir nos Estados Unidos, disse Lee Gelernt, advogado da Aclu.

Os pais ainda não decidiram se querem ou não trazer seus filhos de volta para a América Central, porque ainda esperam que os tribunais permitam que eles venham para os EUA. Nesse ínterim, os filhos permanecem com parentes ou famílias adotivas enquanto procuram asilo, disse Gelernt.

“A esmagadora maioria dos pais querem se reunir com seus filhos nos Estados Unidos”, disse ele. "É por isso que eles fugiram juntos em primeiro lugar".

Processo

A Aclu entrou com uma ação judicial para reunificar famílias em 2018, na esteira da repressão do governo Trump às famílias que buscam asilo na fronteira. Milhares de famílias foram separadas.

Em resposta ao processo, um juiz distrital dos EUA ordenou que o governo parasse de separar famílias e fizesse uma lista de crianças que haviam sido separadas de seus pais.

A lista inicial incluía cerca de 2.800 nomes, disse Gelernt. Todos os pais dessas crianças foram localizados, incluindo cerca de 470 pais que foram deportados.

Mas no ano passado, o governo reconheceu que havia mais de 1.000 crianças separadas de seus pais que não haviam sido reveladas anteriormente, disse Gelernt. Essas são as crianças que a Aclu está rastreando agora e o foco do processo judicial da semana passada.

Gelernt disse que a maioria das famílias nesta lista foi separada no início do processo, durante um programa piloto, portanto, muitas das informações de contato fornecidas pelo governo eram "em grande parte obsoletas".

As buscas de pais na América Central têm sido lentas e interrompidas completamente entre março e agosto por causa da pandemia do coronavírus. Essas buscas foram retomadas desde então, disse ele.

O esforço para reunificar pais e filhos nos EUA provavelmente não será popular entre os radicais da imigração. Trump disse que a ameaça de serem separados de seus filhos pode impedir que alguns migrantes façam a perigosa jornada até a fronteira com os EUA. Em última análise, permitir que os pais se reunam com seus filhos nos EUA poderia incentivar mais migrantes a virem ao país em busca de asilo, dizem os oponentes dos esforços.

“É uma jornada muito perigosa que as pessoas se comprometem a atravessar, em muitos casos vindo de todo o México, e é por isso que não devemos estender o tapete de boas-vindas e encorajar as pessoas a fazerem isso”, disse Murtaugh, porta-voz da campanha de Trump à CNN.

Gelernt, que está lutando no tribunal para permitir que pais venham para os EUA, disse que não acha que a ameaça de separação seja um verdadeiro desincentivo para os pais imigrantes que ele conheceu. Eles têm mais medo de serem mortos em seus países de origem ou de terem seus filhos recrutados por gangues.

Gelernt disse acreditar que a maioria dos migrantes que conheceu ainda teria vindo para os Estados Unidos, mesmo que soubessem com antecedência que seriam separados de seus filhos.

“Acho que é completamente incompreendido quanto perigo essas famílias correm”, disse ele. “Também não acho que as famílias façam essa jornada com leveza.”

Gelernt disse que essas famílias foram “submetidas a um trauma terrível e inacreditável” por causa da política de separação. “Só por esse motivo”, disse ele, “acreditamos que o governo precisa fazer o que é certo”.

* Ryan Mills é repórter de mídia da National Review.

© 2020 National Review. Publicado com permissão. Original em inglês.

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