Jornalistas filmam um vôo da Thai Airways, o primeiro a aterrisar do aeroporto de Suvarnabhumi, em Bangcoc | Chaiwat Subprasom / Reuters
Jornalistas filmam um vôo da Thai Airways, o primeiro a aterrisar do aeroporto de Suvarnabhumi, em Bangcoc| Foto: Chaiwat Subprasom / Reuters

Após a oposicionista Aliança do Povo para a Democracia (PAD) interromper as manifestações contra o governo, com a renúncia do primeiro-ministro, os dois aeroportos da Tailândia estão retomando a rotina lentamente na manhã desta quarta-feira (3).

Pousos e decolagens, nacionais e internacionais, no Aeroporto de Suvarnabhumi, o principal de Bangcoc, começam a se normalizar, segundo as autoridades aeroportuárias. Manifestantes haviam tomado dois aeroportos do país desde o dia 25 de novembro.

O primeiro vôo doméstico da Thai Airways pousou procedente da ilha turística de Phuket, com 307 passageiros. A companhia informou que seis vôos devem partir para Sydney, Nova Délhi, Narita, Frankfurt, Seul e Copenhague.

Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, um vôo com 30brasileiros saiu nesta terça-feira (2) de Bangcoc e um outro com 60 sairia nesta quarta. Há ainda 35 brasileiros na cidade, segundo o Itamaraty, que devem deixar o país nos próximos dias.

O presidente do conselho de Administração Aeroportuária da Tailândia (AOT), Vudhihaandhu Vichairatama, disse que as operações estarão 100% nesta quinta-feira (4).

Na quarta, centenas de opositores desbloqueram os aeroportos. O protesto bloqueou a passagem de cerca de 350 mil passageiros, entre eles muitos estrangeiros. O primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, aceitou nesta terça a decisão do Tribunal Constitucional que o desabilita a desempenhar o cargo, e que dissolve três partidos da aliança que governa o país. Wongsawat anunciou que vai deixar o cargo.

O vice-primeiro-ministro, Chaovarat Chanweerakul, assume as funções do chefe do Executivo.

Wongsawat, que vinha sendo pressionado havia meses pela oposição, disse a jornalistas que não tinha nenhum problema em acatar a sentença.

O premiê se encontra na cidade de Chiang Mai, a cerca de 600 km ao norte de Bangcoc, onde estava entrincheirado com parte de seu gabinete desde que os protestos antigovernamentais agitaram as ruas de Bangcoc e ocuparam os dois aeroportos da capital na semana passada, deixando milhares de turistas, inclusive brasileiros, "presos" no país.

"Fiz o que pude para governar o país", disse o premiê, cunhado do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto por um golpe militar em 2006 e acusado de corrupção.

A Justiça dissolveu nesta terça três partidos da coalizão governante por fraude eleitoral e incapacitou seus dirigentes a desempenhar funções públicas por cinco anos.

Foram punidas as legendas Partido do Poder do Povo (PPP), Chart Thai (Nação Tailandesa) e Matchimathipatai (Pela Democracia).

Integrantes do partido governista declararam que vão se transferir para um novo partido "de fachada", já montado, e eleger um novo primeiro-ministro em 8 de dezembro - antecipando mais um episódio da crise política da Tailândia, que já dura três anos.

O caos pode acabar logo para milhares de turistas na Tailândia, mas o conflito do país entre as forças leais a Thaksin e as elites monárquicas de Bangcoc parece continuar.

"As divisões são tão profundas que é difícil ver como isso poderia acabar", disse o analista político Giles Ungpakhorn, da Universidade Chulalongkorn, em Bangcoc.

A Corte Constitucional também dissolveu outros dois partidos da coalizão de Somchai, que contava com seis agremiações, por fraude eleitoral em 2007. Os líderes dos partidos foram banidos da política por cinco anos.

O antecessor de Somchai, Samak Sundaravej, também foi afastado pela Justiça após ir a um programa de culinária na televisão.

As decisões desta terça-feira aumentaram o risco de conflitos entre os simpatizantes da APD, que usam amarelo, e os governistas, que usam vermelho. Os apoiadores do premiê se juntaram ao redor do tribunal e forçaram os juízes a encontrar um novo lugar.

"O julgamento foi arranjado", disse Rojarek Phalaburee, da província de Chiang Mai e que apóia o governo de Somchai.

Rei O rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, não mencionou a crise política do país durante um curto discurso em uma parada militar em Bangcoc. No ano passado, na mesma ocasião, Adulyadej, havia pedido "unidade" diante da perspectiva das eleições gerais de dezembro daquele ano.

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