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| Foto: BEN STANSALL/AFP

Com a aproximação do referendo que decidirá se o Reino Unido permanecerá na União Europeia, as campanhas ficam cada vez mais tensas. Para trazer mais leveza e bom humor ao debate, a plataforma de pesquisas YouGov lançou uma enquete para que o público opinasse sobre qual seria a posição em relação ao Brexit de personagens da ficção.

A babá com poderes mágicos Mary Poppins, a protagonista da comédia romântica Bridget Jones, o viajante do tempo Doctor Who, o espião James Bond e o desastrado Mr. Bean votariam a favor da permanência do Reino Unido no bloco econômico. Por outro lado, a pesquisa aponta que o detetive Sherlock Holmes, a vilã dos “101 Dálmatas” Cruela de Vil, o zelador escocês dos “Simpsons”, Willie, e o proprietário do hotel “Fawlty Towers”, interpretado por John Cleese, seriam a favor ao Brexit.

“Achamos que o público considerou que “os personagens bonzinhos” votariam pela permanência do Reino Unido”, disse Joe Twyman, o responsável pelas pesquisas políticas e sociais do “YouGov”, que afirmou acreditar que as pessoas gostaram de falar do assunto de maneira mais descontraída, ainda mais em um momento no qual a campanha está marcada por exageros, argumentos simplistas e ataques pessoais.

Alguns personagens deixaram o público dividido. O protagonista da série de animação “Bob, o construtor” ficou com 22% dos votos para a permanência do Reino Unido, enquanto 21% dos entrevistados estimaram que ele seria a favor da saída. O mesmo aconteceu com a professora McGonagall, da saga Harry Potter, que tem uma diferença de apenas 3% entre os que acreditaram que ela votaria pelo “sim” e os que achavam que ela optaria pelo “não”.

Temor de Brexit diminui a três dias do referendo

AFP

Os mercados operam em alta e antecipam a vitória da permanência do Reino Unido na União Europeia (UE) no referendo da próxima quinta-feira (23), ao mesmo tempo que 10 vencedores do Nobel de Economia se pronunciaram contra o Brexit. Na área política, a reta final da campanha segue dominada pela recordação da deputada assassinada Jo Cox.

Os principais nomes dos dois lados devem comparecer nesta segunda-feira (20) à sessão extraordinária do Parlamento em homenagem à deputada trabalhista e pró-UE, organizada dois dias antes do que seria o aniversário de 42 anos da deputada e três dias antes do referendo de 23 de junho.

O assassinato, cometido por um simpatizante neonazista que gritou “Morte aos traidores, liberdade para a Grã-Bretanha” na primeira audiência com um juiz, parece marcar um ponto de inflexão na campanha, provocando uma mudança no tom beligerante.

Nesta segunda-feira, o líder do partido antieuropeu UKIP, Nigel Farage, denunciou que os partidários da UE estão tentando vincular a morte de Cox à campanha.

“Acredito que há partidários da permanência na UE que estão tentando dar a impressão de que este horroroso incidente isolado está relacionado de algum modo com os argumentos feitos durante a campanha por mim ou Michael Gove, e isto é ruim”, disse Farage à rádio LBC, um dia depois de admitir que o assassinato de Cox freou o avanço do Brexit.

Sayeeda Warsi, que foi presidente do Partido Conservador, anunciou nesta segunda-feira que mudou de opinião e votará a favor da permanência na UE, cansada do que chamou de “mentiras e xenofobia” da campanha Brexit. Ela afirmou que o que provocou sua decisão foi o cartaz de Farage que apresenta uma caravana de refugiados como uma ameaça para o Reino Unido.

A primeira pesquisa divulgada depois da brutal morte da deputada trabalhista e pró-UE, defensora dos refugiados e dos imigrantes, mostra a opção favorável à permanência com 45% das intenções de voto, contra 42% para os defensores da saída.

A pesquisa do instituto Survation foi realizada na sexta-feira e sábado. O assassinato de Cox aconteceu na quinta-feira.

A média das últimas seis pesquisas elaborada pelo instituto de opinião What UK Thinks mostra um empate, com 50% para os dois lados, sem levar em consideração os indecisos.

Novas pesquisas devem ser divulgadas nas próximas horas, para confirmar ou desmentir a mudança de tendência.

Dez prêmios Nobel contra o Brexit

Os mercados, no entanto, já antecipam a vitória da permanência desde sexta-feira, um dia após a morte de Cox. As Bolsas europeias operavam em alta, com destaque para Londres (acima de 3%), e a libra também registrava uma forte valorização, se recuperando das perdas registradas na semana passada.

“Os mercados registram altas sólidas esta manhã porque diminui o temor da perspectiva de uma saída do Reino Unido da UE”, explicou Mike van Dulken, diretor de pesquisas da Accendo Markets.

“Isto acontece depois das pesquisas do fim de semana que sugerem que a tendência favorável ao Brexit se inverteu”, completou

Dez vencedores do prêmio Nobel de Economia advertiram sobre as consequências negativas e duradouras que seriam provocadas, no seu entender, por uma saída do Reino Unido da UE.

“Acreditamos que o Reino Unido está economicamente melhor dentro da UE”, afirma o texto publicado no jornal britânico The Guardian pelos vencedores do Nobel entre o início dos anos 1970 e 2015.

“As empresas e os trabalhadores britânicos precisam de pleno acesso ao mercado único. Além disso, a saída criaria grande incerteza ao redor dos futuros acordos comerciais alternativos do Reino Unido, tanto com o restante da Europa como com mercados importantes como os dos Estados Unidos, Canadá e China”.

“E estes efeitos perdurariam por muitos anos”, completa o texto.

“Em consequência, o debate econômico se inclina claramente a favor de seguir na UE”, concluem os especialistas.

O ministro das Finanças da Grã-Bretanha, George Osborne, elogiou a carta.

“Sem precedentes, 10 economistas prêmios Nobel avisam sobre os danos a longo prazo da saída da UE. É hora de ouvir os especialistas”, escreveu no Twitter.

Mas os líderes do Brexit voltaram a apelar para uma oportunidade única de romper com as regras de Bruxelas.

“É hora de acreditar em nós mesmos, no que o Reino Unido pode fazer, e recordar que sempre somos os melhores quando acreditamos em nós mesmos”, escreveu o ex-prefeito de Londres Boris Johnson no jornal Daily Telegraph.

“Não voltaremos a ter uma oportunidade assim em nossas vidas”, completou.

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