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Artefatos coletados em Nova York durante os atentados ocorridos em 11 de setembro de 2001, uma terça-feira que traumatizou a cidade definitivamente | Shannon Stapleton/Reuters
Artefatos coletados em Nova York durante os atentados ocorridos em 11 de setembro de 2001, uma terça-feira que traumatizou a cidade definitivamente| Foto: Shannon Stapleton/Reuters

Narrativas

Responder a perguntas e dar voz a vítimas foram metas dos idealizadores

Os responsáveis pela criação do museu asseguram que um dos pontos fundamentais era conseguir dar "voz" a todos os que foram impactados pelos atentados. Por isso, a preocupação em trazer a maior quantidade de depoimentos – só no áudio da instalação na entrada do museu, são trechos das falas de 500 pessoas de 43 países, em 28 línguas.

"Qualquer pessoa pode entrar aqui e reconhecer um pouco de si, porque há uma grande variedade de narrativas. Com isso, o visitante pode sentir que o museu conta uma história verdadeira", disse Tom Hennes, diretor da Thinc Design e um dos responsáveis pelo projeto do museu.

Houve também a preocupação de tentar responder a "perguntas que ainda permanecem", como as teorias conspiratórias de que o governo Bush deixou deliberadamente que os ataques acontecessem, que as torres foram dinamitadas por explosivos e que o Pentágono não teria sido atingido por um avião, mas por um míssil.

"Não falamos especificamente sobre as teorias da conspiração, mas respondemos a muitas perguntas que essas teorias levantaram sobre questões científicas e de engenharia", disse Barton. "Há uma parte da exposição que mostra as gravações de quatro diferentes câmeras de segurança na hora da explosão do Pentágono, de forma muito detalhada", exemplificou.

38 degraus

A "Escada dos Sobreviventes", uma das peças em exposição no museu do 11 de Setembro, levava a uma saída para a Vesey Street e serviu como rota de fuga para centenas de sobreviventes. "Elas foram o caminho para a liberdade", disse Kayla Bergeron, uma das pessoas que escaparam do desastre, numa frase agora eternizada aos pés da escada no museu. O lance com 38 degraus, 19,4 metros de comprimento e 58 toneladas foi transportado para o local e poderá ser visto enquanto o visitante desce uma escada paralela.

10.300 peças fazem parte do Museu Nacional da Memória do 11 de Setembro, incluindo 2.380 doações particulares feitas pelas famílias das vítimas, 2.136 documentos e 37 objetos grandes retirados do local dos ataques que fizeram 2.977 vítimas. Entre as peças, se destacam os fragmentos de um dos aviões, um carro de bombeiro parcialmente destruído após ter sido usado no socorro, uma antena de rádio e tevê que ficava sobre uma das torres e colunas de aço retorcidas pelo impacto das aeronaves contra as torres.

  • Restos da antena da Torre Norte do World Trade Center
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A sapatilha de bailarina de Maile Hale divide o espaço com o elmo viking feito à mão por Brian Sweeney e o conjunto de bola e luva de softball de Robert Wallace.

Hale, de 26 anos, estava no 106º andar da Torre Norte do World Trade Center a trabalho. Sweeney, 38, ia de Boston para Los Angeles no voo 175, que atingiu a Torre Sul. Wallace, 43, foi um dos primeiros bombeiros enviados ao local.

Três histórias particulares que foram unidas em uma das galerias do novo Museu Nacional da Memória do 11 de Setembro, que abre no dia 21 ao público, na tentativa de personalizar o trágico fim das 2.977 vítimas dos atentados terroristas de 2001.

Hoje, o museu será aberto para os familiares das vítimas, em uma cerimônia com o presidente Barack Obama. Ao longo da próxima semana, eles terão exclusividade de acesso, e o espaço poderá ser visitado por 24 horas.

As histórias de todas as vítimas do 11 de Setembro – e dos seis que morreram no ataque ao World Trade Center em 1993 –, serão recontadas em totens com animações espalhados pela Galeria da Memória, na base da antiga Torre Sul. Fotos de cada uma cobrem as paredes do local, organizadas por ordem alfabética.

Ao todo, o museu exibirá mais de 10.300 peças, incluindo 2.380 doações particulares feitas pelas famílias, 2.136 documentos e 37 grandes objetos retirados do local dos atentados. Entre estes, estão fragmentos de um dos aviões, um carro de bombeiro parcialmente destruído após ter sido usado no socorro, uma antena de rádio e tevê que ficava sobre uma das torres e cinco colunas de aço enormes retorcidas pelo impacto das duas aeronaves.

Três peças monumentais se encarregarão de transportar o visitante ao local e ao momento dos ataques. É o caso da "Escada dos Sobreviventes" (veja fotolegenda nesta página). Antes dela, no entanto, ele já terá passado pelos dois enormes "tridentes" de aço, cada um com 70 toneladas, que serviam de sustentação ao WTC1. As colunas são o primeiro contato real do visitante com o que sobrou das Torres Gêmeas. No roteiro elaborado pelo museu, o ciclo se completa com a terceira imponente relíquia: a chamada "Última Coluna".

Com cerca de 11 metros de altura, ela foi a última a ser retirada do local dos ataques. O museu manteve as dezenas de mensagens e fotos pregadas nela por familiares e amigos.

Polêmicas

Envolto em polêmicas desde a concepção inicial, o museu viu a administração à sua frente mudar várias vezes desde 2004 – o que acabou travando o projeto em muitas ocasiões – e passou por diversas dificuldades técnicas, que envolveram inclusive a inundação do local durante o furacão Sandy, em 2012.

Ingresso

Críticas dos familiares das vítimas se centraram no valor do ingresso que será cobrado – US$ 24 (R$ 53) – e na decisão de levar os restos mortais não identificados para o museu, atitude considerada um "sacrilégio" para Sally Regenhard, de uma ONG de apoio a familiares de bombeiros.

Dinheiro

O custo total do museu e do memorial – formado pelas duas grandes piscinas – foi de US$ 700 milhões (R$ 1,55 bilhão). Mais de US$ 450 milhões (R$ 995 milhões) veio de dinheiro privado. Os ingressos e as vendas da loja do museu deverão gerar entre 60% e 70% dos US$ 60 milhões de orçamento anual do complexo.

Al-Qaeda

A comunidade islâmica se opôs a um vídeo da exposição que narra a "ascensão da Al-Qaeda". No filme de menos de 7 minutos, os terroristas que sequestraram os aviões são descritos como "islamistas que assumiram a jihad como sua missão", o que foi considerado extremamente ofensivo por líderes islâmicos locais.

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