Enquanto as carreiras ligadas ao Direito encabeçam a lista de profissões mais comuns entre políticos ao redor do mundo, o segundo lugar, com pouco mais de 15% do total, é dos homens de negócios. O professor de Harvard Alex Keyssar dá uma dica do motivo, ao lembrar que no Senado dos Estados Unidos só entra quem tiver ganhado muito dinheiro na vida: o alto custo das campanhas fala mais alto que a formação.

Na França, a política também é assunto de elite, mas, ao contrário dos EUA, onde a fonte desses profissionais são as prestigiosas escolas de Direito como Yale e Harvard (onde estudou o presidente Barack Obama), a maioria é egressa da Escola Nacional de Administração de Strasbourg.

"Se Bill Gates nascesse na França, ele não inventaria a Microsoft. Seria funcionário público", diz o cientista político da Universidade de Brasília Paulo Kramer, brincando com a ideia de que o país de Nicolas Sarkozy é centralizador e avesso a mudanças.

No Japão, há ainda menos tradição de formação de advogados – herança dos séculos em que valeu o direito costumeiro, calcado nos usos e costumes.

Já Portugal tem uma classe política tradicionalmente formada por muitos professores universitários, diferentemente do Brasil, onde há apenas 10 acadêmicos entre os 513 deputados federais eleitos em 2006. No mundo, eles são menos de 10%.

Na China, quem faz carreira política são os engenheiros. Para a revista Economist, nada mais natural em um país conservador onde a regra é fazer as coisas funcionarem e durarem muito tempo – não importam os métodos que se façam necessários para isso. O país tem investido quantias imensas em obras de infraestrutura.

Na África, muitos governos são resultado de golpes militares, motivo pelo qual a quarta profissão que mais consta no perfil político do mundo é a de egressos do exército. (HC)

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