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Reykjavik, capital da Islândia, onde o governo tenta evitar uma fuga de capitais após a suspensão dos controles financeiros | Matt Cardy/Getty Images
Reykjavik, capital da Islândia, onde o governo tenta evitar uma fuga de capitais após a suspensão dos controles financeiros| Foto: Matt Cardy/Getty Images

Os controles de capitais impostos pela Islândia durante a crise financeira global ajudaram a estabilizar o sistema bancário do país, colocando a economia no caminho da recuperação. Mas agora, quase sete anos depois, esses controles estão sendo retirados, e o governo tenta impedir uma fuga de divisas que poderia fazer o país desmoronar outra vez.

Trata-se de um momento crucial para a ilha que passou a simbolizar a crise financeira de 2008 quando seus três principais bancos implodiram. Alguns economistas apontam a Islândia como exemplo na gestão de turbulências, mas essa estratégia só será devidamente testada quando o governo provar que tem a capacidade de suspender ordenadamente as restrições financeiras.

Os controles de capitais funcionaram na Islândia em parte, possivelmente, por causa do tamanho do país. Essa pequena nação insular, com apenas 320 mil habitantes, recuperou-se rapidamente e deverá crescer 2,7% neste ano. O desemprego é de apenas 3,1%.

São dados que contrastam de forma gritante com a situação da Grécia e de outros países do sul da Europa que usam o euro e, consequentemente, não têm uma moeda própria para gerenciar.

É raro que controles de capital sejam tão duradouros. Em 2013, esperava-se que Chipre fosse adotá-los por um curto período, numa época de fuga de depósitos bancários. Acabaram vigorando até este ano. Na Islândia, a previsão inicial era de que os controles de capital durassem seis meses.

Embora o governo tente garantir um retorno ordenado à normalidade, seu plano nunca foi testado. Em 2008, os três principais bancos islandeses faliram em questão de dias, arrastando consigo a economia e a moeda local (a coroa islandesa). O total de ativos em poder dos bancos na época superava os US$ 185 bilhões, ou 14 vezes o PIB nacional. O valor de mercado da Bolsa de Reykjavik despencou 90%.

Os controles de capital causaram dolorosos efeitos colaterais, pois afastaram os investimentos do país e elevaram o custo do crédito para as empresas locais.

Agora, o governo impôs um ultimato a um grande grupo de credores. Eles têm duas opções: ou fazem acordos com as comissões que cuidam da massa falida dos bancos até o final do ano, abrindo mão de parte do dinheiro a receber, ou serão submetidos a um imposto de incidência única, no valor de 39% do total da dívida.

A Islândia está basicamente pedindo aos credores que desistam de receber 900 bilhões de coroas (cerca de US$ 6,8 bilhões) da massa falida dos bancos ou de moradores do país. Depois, esses credores poderão levar embora da Islândia todo o dinheiro que conseguirem receber.

Outro grupo de credores no exterior, com direito a receber dívidas de vencimento em curto prazo e outros ativos no valor de 300 bilhões de coroas, terá a opção de participar de leilões cambiais ou de trocar sua dívida por títulos públicos com vencimento mais distante, expressos em coroas ou euros.

“É um plano bem pensado e factível para se livrar dos controles de capitais o mais rapidamente possível”, disse Jon Danielsson, professor da London School of Economics. “Isso coloca os interesses da economia em primeiro lugar, mas ao mesmo tempo é justo com os credores estrangeiros.”

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