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Manequins de vitrine refletem o aumento da popularidade dos implantes de silicone nos seios entre as mulheres da Venezuela | Meridith Kohut para The New York Times
Manequins de vitrine refletem o aumento da popularidade dos implantes de silicone nos seios entre as mulheres da Venezuela| Foto: Meridith Kohut para The New York Times

Frustrado com as vendas modestas de sua pequena fábrica de manequins, Eliezer Álvarez chegou a uma conclusão muito simples: as mulheres venezuelanas fazem cada vez mais cirurgias plásticas para transformar o corpo, mas os manequins das lojas de roupas não refletem essas proporções novas e frequentemente exageradas.

Por isso, ele criou o tipo de mulher que acreditava que o público quisesse ver: com seios enormes, bumbum empinado, cinturinha de pilão e pernas longas, uma fantasia em fibra de vidro ao estilo venezuelano.

As formas cresceram e as vendas acompanharam. Agora, seus manequins e outros como os dele se tornaram o padrão em lojas de todo o país, exibindo uma visão exagerada das formas femininas.

"Você vê uma mulher como essa e diz: ‘Uau, quero me parecer com ela’", afirmou Reina Parada, enquanto passava a lixa em um torso de manequim. Parada também disse que gostaria de colocar silicone: "Isso aumenta a autoestima".

A cirurgias cosmética está tão na moda na Venezuela que mulheres com implantes geralmente são chamadas simplesmente de "mulheres operadas". As mulheres falam abertamente sobre as cirurgias.

Isso é algo que bate de frente com a ideologia socialista do governo. O antigo líder venezuelano, Hugo Chávez, que morreu em março, discursou contra esse tipo de cirurgia, dizendo que era "monstruoso" que mulheres pobres gastassem dinheiro com implantes de silicone.

A beleza aumentada cirurgicamente teve um papel especialmente importante no fim dos anos 1970 e 1980, quando misses do país – uma obsessão nacional – receberam três títulos de Miss Universo.

Este mês, a Miss Venezuela, Gabriela Isler, recebeu o título de Miss Universo, o sétimo do país.

Diversos grupos de mulheres protestaram contra o concurso de Miss Venezuela em outubro, criticando as pressões sofridas pelas mulheres para se adaptarem a essa estética artificial.

Os poucos dados disponíveis indicam que as mulheres venezuelanas não fazem mais cirurgias do que as mulheres de outros países. Porém, Lauren Gulbas, antropóloga que estudou as atitudes em relação a cirurgias plásticas na Venezuela, afirmou que as cirurgias têm um status elevado em função da importância da beleza no país e da crença de que os procedimentos cosméticos ajudam a projetar uma imagem de sucesso.

"Existe essa noção da ‘buena presencia’, da boa aparência, aqui na Venezuela", afirmou. "Isso mostra que você possui determinadas características que dizem que você trabalha duro e bem e que é uma pessoa honesta. Existe uma virtude ligada a determinada aparência."

A poucos quilômetros da fábrica de Álvarez, trabalhadores fabricavam manequins na laje de uma oficina comandada por Daniela Mieles, de 25 anos.

Seus manequins chegaram a proporções que o marido, Trino Colmenarez, de 32 anos, chama de "estrambóticas".

As vendas vão muito bem e Mieles afirmou que começou a guardar dinheiro para também poder colocar silicone.

"Beleza é perfeição, é tentar se aperfeiçoar mais e mais a cada dia", afirmou Mieles. "É assim que as pessoas veem as coisas por aqui."

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