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Marcas de fast-fashion ultrapassam varejistas

  • PorHiroko Tabuchi e Hilary Stout
  • The New York Times
  • 06/07/2015 22:00
A Gap está fechando as lojas na América do Norte enquanto os competidores como H&M e Zara atraem clientes. Uma Gap em Manhattan | Yana Paskova/The New York Times
A Gap está fechando as lojas na América do Norte enquanto os competidores como H&M e Zara atraem clientes. Uma Gap em Manhattan| Foto: Yana Paskova/The New York Times

Às 8h50 da manhã de uma quarta-feira mais de 20 compradores esperavam na frente da nova loja modelo da H&M, em Manhattan, loucos para entrar.

Exatamente do outro lado da rua, a loja da Gap também estava se preparando para abrir. Uma única mulher estava parada na frente, distribuindo panfletos de um restaurante cubano.

Uma por uma, Gap, J.Crew, American Apparel e Abercrombie & Fitch relataram quedas nas vendas, enquanto as marcas de fast-fashion chiques e baratas como H&M, Uniqlo e Zara estão abrindo lojas movimentadas.

O mercado médio para moda nos Estados Unidos se perdeu. A Gap — que já foi tão quente que a atriz Sharon Stone usou uma de suas blusas de gola role com uma saia Valentino na noite do Oscar em 1996 — vai fechar um quarto de suas 675 lojas nos Estados Unidos nos próximos anos.

“Tivemos nosso momento de glória, mas eles não foram seguidos de outros momentos consistentes”, Art Peck, executivo chefe da Gap, explicou aos investidores.

A marca, que já foi o máximo da moda casual, está descobrindo que sua base de clientes nos Estados Unidos se dividiu. O mercado de luxo cresce; na outra ponta, as lojas mais baratas, como T.J. Maxx e Burlington Stores, aumentam seus ganhos. A Gap, a Abercrombie e outras parecidas estão presas no meio.

Uma legião de adolescentes e jovens adultos agora se volta para gigantes como a H&M, da Suécia, e a Zara, da empresa espanhola Inditex, que em poucas semanas expõem nas prateleiras versões mais baratas da moda das passarelas. As 368 lojas da H&M nos Estados Unidos, às quais serão adicionadas mais 65 neste ano, recebem um novo carregamento todos os dias. A Uniqlo, da gigante japonesa Fast Retailing, vende roupas básicas a preços bem baixos, em dezenas de cores e tecidos tecnológicos, e oferece coleções de designers e celebridades a preços médios.

“Nos anos 1980 e 1990, não havia acesso de verdade à moda de alto nível”, explica Kate Davidson Hudson, executiva chefe da Editorialist, uma revista de moda online. “Foi o auge do negócio das roupas casuais, e as lojas se deram bem vendendo o básico. Mas agora, todo mundo vê o que está nas passarelas pelas redes sociais e nos blogs, todo mundo virou um crítico, e os compradores querem o que veem na mesma hora. Marcas como a Gap parecem antigas.”

As vendas em lojas da Gap abertas há pelo menos um ano caíram nos últimos 13 meses. A marca mais chique da Gap, Banana Republic, também tropeçou, apesar de a mais barata, a Old Navy, estar indo bem. Na Abercrombie & Fitch, as vendas comparativas caíram nos últimos três anos, e a marca está no meio de uma reforma.

As americanas também ficaram presas ao que restou de uma cultura de shopping center que está rapidamente desaparecendo. Muitas das lojas da Gap, previstas para fechar em shoppings, estão sofrendo um declínio no número de clientes.

Em contraste, os vendedores de fora, desde o começo, estão acostumados a operar todas as lojas em lugares de muito movimento, com vendas expressivas.

“O shopping center não existe em outros lugares como existe aqui”, afirma William Susman, diretor de administração da Threadstone Partners, uma firma de consultoria sobre consumo e venda no varejo de Nova York.

Uma compradora da Uniqlo em Manhattan, Dhushyanthy Tharan, diz que acha a seleção de produtos melhor do que a da Gap. “Adoro os materiais, o algodão e o linho, e o estilo deles”, explica.

Peck e sua equipe parecem sugerir aos investidores que as marcas da Gap tentarão levar rapidamente novos modelos às lojas. Mas vai ser difícil para a Gap e para várias marcas americanas alcançar a Zara e outras varejistas de fast-fashion, algumas já sob escrutínio por usar pesadamente as fábricas que pagam baixíssimos salários a funcionários que trabalham sob péssimas condições e por causar um alto custo ambiental com uma moda descartável.

Mais importante para as marcas americanas em declínio, dizem os especialistas em varejo, é trazer a inspiração para suas linhas de roupas.

“Não há direção criativa, não há identidade criativa, e o comprador consegue perceber isso”, afirma Kate Davidson Hudson.

Contribuiu Vanessa Friedman

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