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Obama, sua mulher, Michelle, e as filhas, Malia e Sasha, entregam comida em um banco de alimentos para o Dia de Ação de Graças, em Chicago: presidente eleito prevê um Natal pobre | Jim Watson/AFP
Obama, sua mulher, Michelle, e as filhas, Malia e Sasha, entregam comida em um banco de alimentos para o Dia de Ação de Graças, em Chicago: presidente eleito prevê um Natal pobre| Foto: Jim Watson/AFP

Raúl Castro quer encontro com Obama

O dirigente máximo cubano, Raúl Castro, disse, em entrevista ao ator norte-americano Sean Penn, estar aberto a um encontro com o presidente eleito dos EUA, Barack Obama. O irmão e sucessor de Fidel Castro afirmou que o mais justo seria que um encontro entre os dois ocorresse em território neutro.

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  • Volcker, 81 anos: experiência pesou na escolha de Obama

Nova Iorque - Em sua terceira entrevista coletiva nos últimos três dias, o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem a formação de um grupo independente e apartidário de proposição de políticas governamentais para a crise financeira, o Conselho Consultivo de Recuperação Econômica.

O grupo será liderado por Paul Volcker, 81 anos, presidente do Fed (Banco Central norte-americano) entre 1979 e 1987 e que ironicamente é responsabilizado por muitos pela recessão do início dos anos 1980 no país.

Obama indicou também Austan Goolsbee, 39 anos, como diretor de pessoal e economista-chefe do novo grupo. Goolsbee será a ponte primária entre o grupo e o governo e será ainda um dos três membros de um outro órgão da administração, o Conselho de Assessores Econômicos.

O conselho funcionará a princípio por dois anos. O modelo de atuação, independente da hierarquia da Casa Branca, é inspirado no Conselho de Inteligência Estrangeira criado pelo presidente Dwight Eisenhower (1953–1961).

O grupo ficará encarregado de fornecer análises e sugestões ao presidente enquanto ele formula seu plano de recuperação econômica, por enquanto baseado em um pacote de estímulo focado na geração de 2,5 milhões de empregos.

Obama disse que o conselho incluirá membros dos setores empresarial, trabalhista e acadêmico e terá liberdade para propor novas maneiras de encarar a crise. "As velhas maneiras de pensar e atuar simplesmente não servem mais. Devemos buscar pensamentos frescos e idéias novas e corajosas.’’

No sentido oposto, defendeu as escolhas de ex-membros do governo Bill Clinton (1993–2001) para sua equipe, contra sugestões de que não está trazendo a mudança prometida. "O último governo democrata foi o de Clinton. Todos ficariam surpresos se eu escolhesse pessoas sem nenhuma experiência no governo em meio a uma das piores crises da história. A mudança virá de mim e da direção que darei ao governo.’’

O presidente eleito destacou que Goolsbee nunca trabalhou para a Casa Branca e é "um rosto tão novo quanto possível’’.

Frustração

Obama afirmou aos jornalistas que a terceira entrevista desde segunda-feira reflete a frustração com "a incapacidade de Washington de tomar medidas decisivas, claras e audaciosas para abordar os problemas financeiros’’ dos EUA.

Será agora do time de Volcker a tarefa de oferecer idéias novas para resolver esses problemas. Ele já vinha alertando para a crise desde 2005, quando afirmou: "As circunstâncias são as mais perigosas de que eu posso me lembrar — e eu me lembro de muita coisa’’.

No início da gestão de Volcker no Fed, em 1981, a inflação anual dos EUA chegou a 13,5%. Com uma política monetária dura, focada na diminuição de oferta de moeda e não na manipulação das taxas de juros, Volcker levou o índice para menos de 4% em dois anos.

Porém, as decisões contribuíram para a recessão que se seguiu, que teve os maiores índices de desemprego do país desde a Grande Depressão.

Volcker poderá ter atuação combativa se confrontado com o indicado de Obama para o Departamento do Tesouro, Timothy Geithner, envolvido recentemente em operações de resgates a bancos. Em março, Volcker afirmou que a ajuda do governo ao Bearn Sterns não é "de maneira alguma o que queremos para um sistema regulatório de apoio a longo prazo’’. "O Fed não é desenhado (...) para proteger setores específicos da economia de empréstimos ruins’’, disse na ocasião.

Na coletiva, contudo, Obama respaldou o último pacote de estímulo de Bush, que anunciou ontem infusão de até US$ 800 bilhões na economia. "Faremos o que for preciso para lidar com a crise’’, disse.

Em entrevista que à tevê ABC, Obama criticou os executivos-chefes das três grandes montadoras americanas por ter ido em aviões privados a Washington em meio à crise que assola a indústria automobilística. "Eu acho que eles estão um pouco surdos em relação ao que está acontecendo nos EUA neste momento. Espero que o meu governo ajude a promover a volta a uma ética de responsabilidade’’, disse o democrata.

O presidente eleito deve anunciar novos membros da equipe na sexta-feira, logo após o Dia de Ação de Graças, comemorado hoje nos EUA.

Natal "difícil"

Obama previu um Natal nada fácil para os americanos, mas pediu fé diante a maior crise financeira da história do país, desde a quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 1929. "A ajuda está a caminho, e nós vamos passar por isso. Vamos precisar fazer algumas escolhas, mas conseguiremos sair dessa", afirmou.

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