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Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que interromperá financiamento à OMS temporariamente| Foto: MANDEL NGAN/AFP

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, lamentou a decisão do governo dos Estados Unidos de interromper temporariamente o financiamento ao organismo internacional. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (15), Tedros salientou que a OMS está revisando o impacto dessa suspensão e que vai trabalhar com os parceiros para "preencher qualquer lacuna financeira" e garantir que a organização continue operando.

"No devido tempo, o desempenho da OMS no combate a esta pandemia será analisado pelos Estados-membros da OMS e pelos órgãos independentes existentes para garantir a transparência e a responsabilidade. Isto faz parte do processo habitual implementado pelos nossos Estados-membros. Sem dúvida, áreas de melhoria serão identificadas e haverá lições para todos nós aprendermos. Mas, por enquanto, nosso foco - meu foco - é parar o vírus e salvar vidas", declarou.

Repercussão no mundo

A OMS recebeu o apoio de vários parceiros e governos após o anúncio do presidente Donald Trump. O empresário e filantropo Bill Gates disse que "interromper o financiamento da Organização Mundial da Saúde durante uma crise mundial de saúde é tão perigoso quanto parece".

"O trabalho deles está diminuindo a propagação da Covid-19 e, se esse trabalho for interrompido, nenhuma outra organização poderá substituí-los. O mundo precisa da OMS agora mais do que nunca", tuitou Gates.

A fundação comandada por Gates e sua esposa Melinda é a segunda maior financiadora da OMS - atrás apenas dos Estados Unidos. Entre 2018 e 2019, a Fundação Bill e Melinda Gates foi a responsável pela doação de mais de US$ 530 milhões, destinados principalmente à erradicação da poliomielite na África.

Governos da França, Alemanha e Reino Unido salientaram a importância da OMS no combate ao novo coronavírus e garantiram que continuarão com seus repasses em dia. Mais cedo, as Nações Unidas e a China haviam questionado a postura americana.

O chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, criticou fortemente a decisão da Casa Branca, dizendo que isso minaria a resposta global à pandemia. “Não há razão para justificar essa mudança no momento em que seus esforços são necessários mais do que nunca para ajudar a conter e mitigar a pandemia de coronavírus", tuitou.

Até mesmo o Japão, que havia criticado duramente a atuação da OMS na crise do coronavírus, garantiu nesta quarta-feira que continuará contribuindo financeiramente com a organização internacional. O vice-primeiro-ministro japonês, Taro Aso, disse no início do mês que a OMS deveria mudar o nome para "Organização Chinesa da Saúde".

Outro aliado dos EUA e crítico da resposta da OMS à pandemia, o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, disse que a organização "não está imune a críticas", mas acrescentou que ela "faz vários trabalhos importantes".

Na manhã desta quarta-feira, a Casa Branca defendeu o anúncio de Trump, dizendo que "qualquer sugestão de que o presidente esteja colocando em risco a saúde e a segurança do povo americano ou a ajuda global à saúde é falsa". O vice-secretário de imprensa, Judd Deere, afirmou em um comunicado que a resposta da OMS à Covid-19 foi marcada por vários passos em falso e que o "presidente Trump está defendendo o contribuinte americano" para garantir que a OMS seja responsabilizada por "suas ações defeituosas".

Repercussão nos EUA

Enquanto congressistas republicanos comemoram a decisão do presidente Donald Trump, os democratas estão dispostos a desafiá-lo.

"Feliz de ver o presidente Donald Trump interrompendo o financiamento à OMS. Nós precisamo revisar o papel deles em ajudar a China comunista a mentir sobre o coronavírus, antes que mais dinheiro do contribuinte seja gasto", disse o senador republicano Rick Scott, da Flórida, que também pediu uma investigação da OMS pelo congresso americano.

Na outra casa legislativa, a deputada Nancy Pelosi, líder da maioria na Câmara, prometeu "contestar rapidamente" a decisão de Trump, alegando que ela é perigosa e ilegal. Ela e outros líderes democratas afirmam que Trump não tem autoridade para congelar de maneira unilateral o financiamento apropriado pelo Congresso para a OMS devido a uma divergência política.

Para sustentar essa posição, eles citam uma decisão semelhante de um órgão de fiscalização federal que descobriu que o governo Trump violou a lei quando interrompeu a assistência à Ucrânia, no caso que levou ao impeachment do presidente republicano.

A Casa Branca, até o momento, não explicou como vai se dar a interrupção do financiamento à OMS. Trump disse nesta terça-feira que essa suspensão vai ocorrer enquanto o governo americano conduz uma revisão para avaliar o papel da OMS em administrar gravemente mal e encobrir a disseminação do coronavírus na China. Essa investigação, segundo Trump, deve levar entre 60 e 90 dias.

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