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Uma organização direitos hu­­manos acusou ontem médicos americanos de fazer experimentos com prisioneiros suspeitos de terrorismo e interrogados pela Agência Central de Inteligência (CIA).

O relatório publicado pela Physician for Human Rights (PHR), que já ganhou um prêmio Nobel da Paz em 1997, pede a abertura de uma investigação. A organização de médicos em defesa dos direitos humanos, que se apoia em documentos públicos, afirma que profissionais da saúde empregados pela CIA não se contentavam em "acompanhar" os interrogatórios de "detidos de maior importância". Também "extraíam conhecimentos gerais com o objetivo de aperfeiçoar os métodos" de obter informação dos suspeitos.

"Há provas de que os médicos avaliavam a dor causada pelas técnicas de interrogatórios e buscavam melhorar seus conhecimentos a respeito", explica Na­­thaniel Raymond, dirigente da PHR. Os médicos da CIA serviam também como testemunhas, ca­­so fosse necessário atestar que os interrogadores agiam de boa-fé.

Pelo menos 14 detidos desapareceram das prisões secretas da CIA entre o final de 2001 e setembro de 2006 e reapareceram no centro de detenção da base naval americana de Guantánamo, na ilha de Cuba.

Entre eles, pelo menos dois foram submetidos a simulações de afogamento (submarino) e todos foram submetidos a programas de privação de sono, nudez forçada e exposição a temperaturas extremas, segundo os documentos publicados em agosto de 2007 e nos quais se apoia a PHR.

Ainda que a utilização de tratamentos cruéis e subumanos tenha sido documentada anteriormente, a PHR afirma que os novos dados evidenciam uma participação ativa dos médicos em investigação.

O porta-voz da CIA, Paul Gi­­migliano, rejeitou as acusações. "A CIA não conduziu, como parte de seu programa de detenção, experiências com nenhum prisioneiro ou grupo", disse o porta-voz.

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