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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente egípcio, Mohamed Mursi, questionaram nesta quinta-feira (30) as posições do Irã sobre seu programa nuclear e sobre a crise na Síria, na abertura em Teerã da reunião dos 120 Países Não-Alinhados.

Ao abrir o encontro, o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, em referência às sanções internacionais contra o Irã vinculadas ao programa nuclear, denunciou a "ditadura manifesta" do Conselho de Segurança da ONU.

"Esta estrutura irracional, injusta e totalmente antidemocrática", composta, entre outros, por cinco membros permanentes com direito de veto (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), está "controlada pela ditadura de alguns países ocidentais", afirmou Khamenei a Ban Ki-moon, que compareceu à reunião apesar das críticas de Estados Unidos e Israel.

Khamenei reafirmou que o país "nunca" tentará fabricar a bomba atômica, ao contrário do que afirmam as potências ocidentais e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), mas ressaltando ao mesmo tempo em que Teerã "nunca renunciará" ao direito de usar a energia nuclear com fins pacíficos.

Ban Ki-moon respondeu poucos minutos depois.

"No interesse da paz e da segurança na região e no mundo, peço encarecidamente ao governo iraniano que adote as medidas necessárias para restabelecer a confiança internacional sobre o caráter exclusivamente pacífico de seu programa nuclear".

"O Irã deve cumprir totalmente as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança e cooperar plenamente com a AIEA", declarou Ban.

O secretário-geral também pediu aos dirigentes de "todas as partes" na crise do programa nuclear iraniano o "fim das ameaças provocadoras", que poderiam "degenerar rapidamente em uma espiral de violência".

Ban fazia referência às ameaças de Israel de bombardear as centrais nucleares do Irã.

O secretário-geral também condenou o Irã por sua negação do Holocausto e do direito de Israel a existir, repetido insistentemente pelos principais dirigentes iranianos, entre eles o aiatolá Khamenei e o presidente Mahmud Ahmadinejad, presentes na sala.

"Lamento profundamente qualquer ameaça de um Estado membro (da ONU) de destruir outro, ou os comentários ultrajantes que negam os fatos históricos como o Holocausto", declarou Ban.

"Dizer que um Estado membro da ONU não tem o direito de existir ou descrevê-lo em termos racistas não apenas está errado, mas também ameaça os próprios princípios (da ONU) que todos nos comprometemos a defender", concluiu.

"Regime opressivo" na Síria

Na mesma reunião, o presidente egípcio denunciou o "regime opressivo" da Síria, principal aliado de Damasco.

"A revolução no Egito era um pilar da Primavera Árabe, que começou poucos dias depois da Tunísia e foi seguida por Líbia e Iêmen, e atualmente a revolução na Síria aponta contra o regime opressivo deste país", afirmou Mursi.

O governo iraniano é contrário a uma mudança de regime para solucionar a crise, ao contrário do Egito.

"O Egito está disposto a trabalhar com todas as partes para fazer com que o sangue pare de ser derramado", disse o presidente egípcio.

O conflito sírio deu a Mursi a oportunidade de estender a mão a Teerã, após 32 anos de relações difíceis entre os dois países, ao propor em meados de agosto a ideia de um comitê regional com, além do Egito e Irã, Arábia Saudita e Turquia para buscar uma solução à crise síria.

Esta iniciativa foi bem recebida por Teerã, que busca participar na solução do conflito, apesar da hostilidade dos Estados Unidos e da oposição síria, que considera que o país está desacreditado por seu apoio incondicional a Damasco.

Antes de deixar Teerã, Mursi se reuniu com Ahmadinejad. Os dois presidentes falaram sobre as relações bilaterais e a situação na Síria.

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