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Análise TRUMP-KIM

Os interesses e o papel da China nas negociações de paz na Península Coreana

Um acordo de paz final e duradouro requer, ao menos, a anuência chinesa. Não necessariamente uma participação ativa em negociações, mas a assinatura chinesa é indispensável, o que torna improvável um acordo que contrarie os interesses chineses

  • Filipe Figueiredo
  • Especial para a Gazeta do Povo
 | Pixabay
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Dizer que a China teria uma “palavra final” em um acordo entre as repúblicas coreanas ou entre a Coreia do Norte e os EUA seria um exagero. Isso não quer dizer que a opinião chinesa e sua postura possa ser desprezada, por uma série de motivos. O primeiro deles é legal. O Acordo de Armistício Coreano, assinado em 1953 e que cessou as hostilidades na península, foi assinado por três partes. O Comando das Nações Unidas, representado pelos EUA; as forças militares da Coreia do Norte; e seus equivalentes da China continental. 

Um acordo de paz final e duradouro, que suplante o assinado há 65 anos, requer ao menos a anuência chinesa. Não necessariamente uma participação ativa em negociações, mas, enquanto a intensidade dessa participação pode variar, a assinatura chinesa é indispensável, o que torna improvável um acordo que contrarie os interesses chineses. 

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E quais seriam esses interesses? No curto e no médio prazo, mais estabilidade. A própria China diminuiu bastante sua paciência com os testes nucleares e de mísseis norte-coreanos. Em um momento de possível guerra comercial e de expansão de seus investimentos em escala global, o governo chinês não deseja um prenúncio de crise a cada dois meses em suas portas. E suas relações comerciais positivas não se resumem aos norte-coreanos. Hoje, a China é a principal parceira da Coreia do Sul, destino de 24% das exportações sul-coreanas e um volume comercial bilateral total de mais de US$ 140 bilhões. Quanto mais estabilidade, melhor o clima para negócios entre chineses e ambas as repúblicas coreanas. 

Já no médio e longo prazo, o interesse chinês é evitar o aumento da presença dos EUA na região. Pode soar paradoxal, mas a aproximação entre a Coreia do Norte e os EUA poderia possibilitar investimentos na península; maior intercâmbio político e cultural entre os dois países, com o fluxo de turistas ou estudantes, por exemplo. Em última instância, frisando que seria um cenário de longo prazo, a Coreia do Norte, ou até mesmo uma Coreia unificada, poderia ser incluída no tratado de defesa mútua que hoje existe entre EUA e Coreia do Sul. Pode soar improvável hoje, mas daqui a dez, vinte anos? É necessário que Pequim trabalhe com todas as opções. 

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Nesse caso, estamos falando de uma valiosa peça no tabuleiro geoestratégico do Oceano Pacífico. Foco da política externa dos EUA desde o século 19, onde, hoje, é a potência hegemônica, mas cada vez mais desafiado pela expansão da presença chinesa. Seja econômica, seja militar, seja ambos. É na região onde está um dos principais pontos de tensão do século 21, o Mar do Sul da China, passagem de comércio em valores superiores aos US$ 3 trilhões por ano, e disputado, no total ou em parte, por meia dúzia de países. Onde, recentemente, a marinha dos EUA conduziu exercícios que desagradaram aos chineses que, por sua vez, instalam bases navais em ilhas artificiais reivindicadas por outros países. Para os chineses, a Coreia é uma peça num tabuleiro muito maior, mas peça importante.

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