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Casal em frente ao “Muro do Lennon” em Praga, 6 de abril. A maioria das atividades diminuiu ou parou na República Tcheca para conter a propagação da covid-19
Casal em frente ao “Muro de Lennon” em Praga, 6 de abril. A maioria das atividades diminuiu ou parou na República Tcheca para conter a propagação da covid-19| Foto: Michal Cizek / AFP

A Europa concentra quase metade de todos os casos confirmados do novo coronavírus no mundo e é região onde acontecem 7 em cada 10 mortes por Covid-19, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Na manhã desta quarta-feira eram 687.236 casos, incluindo 52.824 mortes. Sete dos 10 países mais afetados pela doença estão no continente. Porém, alguns países estão dando sinais de que o pior da epidemia, para eles, já passou.

O diretor regional da OMS para a Europa, Dr Hans Henri P. Kluge, disse em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (8) que na Espanha e na Itália os registros de mortes estão começando a estabilizar. Na Alemanha, acrescentou, o número de novos casos está diminuindo a cada dia - apesar de um aumento nos dados divulgados nesta quarta-feira.

Contudo, Kluge alertou que a pandemia está longe de terminar e que este não é o momento de relaxar as medidas de contenção. “Pensar que estamos chegando perto de um ponto final seria uma coisa perigosa a se fazer. O vírus não deixa espaço para erro ou complacência”, disse, alertando que “qualquer mudança em nossa estratégia de resposta, relaxamento do status de bloqueio ou das medidas de distanciamento requerem uma consideração muito cuidadosa”.

O alerta vem em um momento em que países europeus estão se preparando para um relaxamento gradual das restrições de isolamento social. A União Europeia está trabalhando para desenvolver uma estratégia de saída do confinamento para que os países do bloco adotem medidas conjuntas e, assim, evitem a repetição do caos e da falta de coordenação na implementação das medidas de quarentena.

À frente desta tarefa está a presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), Ursula von der Leyen. Ela chegou a anunciar que um roteiro seria anunciado nesta quarta-feira, mas recuou da ideia após alguns governos reclamaram de não ter sido consultados.

"Depois de manter uma série de contatos com os Estados-membros e refletir mais de perto, foi decidido que é necessário um pouco mais de tempo", explicou o porta-voz do executivo da Comissão, Eric Mamer. "O cronograma para a adoção de nossas recomendações é complicado porque os Estados-membros estão em diferentes estágios da luta contra a pandemia", enfatizou.

Alguns países, porém, se adiantaram e revelaram que vão começar, lentamente, a reabrir suas economias.

Áustria

A Áustria foi a primeira a apresentar seu plano para saída do confinamento.

O governo do primeiro-ministro Sebastian Kurz anunciou que a retomada gradual terá início na terça-feira após a Páscoa, em 14 de abril, com a abertura de pequenas lojas de até 400 metros quadrados, além de lojas de ferramentas e centros de jardinagem. Mas visando garantir a segurança de funcionários e clientes, esses comércios terão que seguir regras de distanciamento e higiene. O uso de máscara facial será obrigatório, a loja poderá atender a um número limitado de clientes por vez e terá que adotar medidas que garantam que o ambiente esteja desinfectado. O uso de máscaras também será obrigatório no transporte público.

O segundo passo virá em 1º de maio. Kurz anunciou que a partir desta data o governo deve permitir que todas as lojas, shopping centers e cabeleireiros reabram, também sob medidas especiais de proteção.

A terceira fase prevê a abertura de restaurantes, hotéis e outros serviços, mas ainda não há uma data definida para que isso aconteça - embora ela não seja implantada antes de meados de maio. A decisão só será tomada no final de abril. O mesmo acontecerá com as aulas. As escolas não vão retomar as atividades presenciais até meados de maio, pelo menos. Uma avaliação será feita no fim de abril.

Além disso, qualquer evento ficará suspenso até o fim de junho.

Apesar da retomada gradual das atividades do comércio ainda na metade de abril, Kurz disse que as medidas de isolamento social continuam até o fim de abril. Até lá, os austríacos só podem sair de casa para "trabalhar, fazer compras, ajudar outras pessoas, e tomar ar fresco ou praticar esportes".

"Meu grande pedido a você é que, mesmo que seja difícil, que você continue a seguir todas as medidas de maneira disciplinada. Se não fizermos isso, será impossível implementar esse plano ambicioso. O plano só funcionará se estivermos juntos e todos faça uma contribuição", apelou o chanceler.

O governo austríaco também informou que vai aumentar a realização de testes na população.

O primeiro caso de coronavírus na Áustria foi confirmado em 25 de fevereiro, importado da Itália. A primeira morte por causa da doença ocorreu em 12 de março, quando o país já tinha pouco mais de 400 infectados. A suspensão das aulas nas universidades veio dois dias antes, quando o governo também impôs restrições de viagem para pessoas que chegavam da Itália.

As medidas de isolamento em todo o país foram anunciadas em 16 de março, ou seja, houve uma reação mais rápida do governo austríaco entre a confirmação do primeiro caso e o fechamento do país, do que em relação a outros países europeus, como Itália, França, Alemanha e Espanha.

De 4 a 7 de abril, a Áustria registrou mais recuperações do que novos casos da Covid-19, diariamente. O ministro da Saúde austríaco, Rudolf Anschober, espera que essa tendência continue. Nesta terça-feira (7), pouco mais de 8 mil pessoas estavam infectadas no país (casos ativos). Desde o início da epidemia, 273 pessoas morreram.

República Tcheca

Vizinha da Áustria, a República Tcheca foi o primeiro país europeu a relaxar as restrições de circulação por causa do novo coronavírus. Nesta terça-feira, o governo permitiu que moradores saíssem de casa para se exercitar sem usar máscaras, mas mantendo o distanciamento de dois metros de outras pessoas.

Algumas lojas que estavam fechadas havia três semanas, como as de comércio eletrônico e de móveis, foram reabertas. Papelarias e lojas de sapatos poderão voltar a funcionar após a Páscoa.

A partir da próxima semana, o governo tcheco também vai flexibilizar as viagens para fora do país. Elas serão permitidas caso o cidadão precise ir ao exterior para cumprir com obrigações oficiais, fazer uma viagem de negócios, ir a um funeral, visitar a família ou outra situação extraordinária de emergência. Porém, ao voltarem para o país, terão que ficar em isolamento por 14 dias. Profissionais de saúde podem continuar cruzando a fronteira sem precisar ficar em quarentena.

Porém, o estado de emergência continuará em vigor em todo o país até 30 de abril, bem como as medidas de distanciamento social e isolamento que estão em vigor há quatro semanas. O primeiro-ministro Andrej Babiš disse na semana passada que ainda existe um alto risco de que "se perca o controle da epidemia", se as pessoas não respeitarem a quarentena.

A República Tcheca foi um dos primeiros países europeus a adotar regras mais restritas quanto à circulação de pessoas. Em 11 de março, o governo fechou todas as escolas, baniu todos os eventos públicos, limitou encontros públicos, fechou as fronteiras e fechou todo o comércio não essencial. Neste dia, o número de infectados era inferior a 200.

O governo tcheco também está implementando um sistema de "quarentena inteligente", usando dados dos telefones celulares e cartões de crédito dos pacientes infectados para rastrear as pessoas com as quais elas possam ter tido contato cinco dias antes do diagnóstico. O uso de dados pessoais precisa ser autorizado pelo paciente. Também está nos planos do governo realizar mais testes para Covid-19 entre a população.

As medidas parecem estar funcionando. O ministro da Saúde do país, Adam Vojtěch, disse nesta quarta-feira que "a disseminação descontrolada da Covid-19 foi interrompida com sucesso" na República Tcheca. Sua afirmação se baseia em uma projeção atualizada do número de pacientes que serão infectados com coronavírus. Há uma semana, estimava-se que 14,2 mil contrairiam a doença até final de abril. Agora, a projeção caiu para 10,6 mil.

Atualmente o país tem cerca de 4,7 mil pacientes com Covid-19 (casos ativos). Pelo menos 99 pessoas morreram.

"Por enquanto, a República Tcheca evitou o pior cenário e os [últimos] dados provaram isso", disse Vojtěch.

Dinamarca

A Dinamarca também foi um dos primeiros países europeus a anunciar o fechamento de sua economia na tentativa de minimizar a propagação do novo coronavírus. Agora, planeja os próximas passos para que a vida volte, aos poucos, ao normal.

A partir de 15 de abril, jardins de infância e escolas primárias vão voltar a funcionar, após três semanas de suspensão de aulas. Isso dará aos pais a possibilidade de voltar ao trabalho, porém o governo vai começar a discutir esse retorno às atividades laborais com líderes empresariais.

Diferente da Áustria, não há um calendário para que isso aconteça. A primeira-ministra, Mette Frederiksen, disse que a abertura gradual do comércio dependerá dos números da Covid-19 no país: se eles se mantiverem estáveis, as medidas serão flexibilizadas. Distanciamento social e orientações de higiene também precisarão ser respeitadas para que haja a retomada da economia.

As medidas de restrição, instauradas na metade de março, ficarão em vigor até, pelo menos, 10 de maio. Grandes eventos estão suspensos até agosto.

Até esta quarta-feira, a Dinamarca havia contabilizado 5,4 mil casos de coronavírus e 218 mortes relacionadas à Covid-19. Mais de 1,6 mil pacientes já se recuperaram.

"Conseguimos evitar o infortúnio que aconteceu em vários outros países", disse Frederiksen na segunda-feira. "A única razão para isso" é que "agimos cedo". Ela reiterou também que qualquer aumento acentuado no número de casos e mortes pela Covid-19 representa a volta das restrições no país.

"Se abrirmos a Dinamarca muito rapidamente novamente, corremos o risco de as infecções aumentarem muito e teremos que fechar novamente", afirmou Frederiksen.

Outros países europeus, mais duramente atingidos pela epidemia de Covid-19, começam a estudar estratégias para tirar a população das quarentenas sem que isso cause um novo surto da doença. Na Espanha, por exemplo, a ministra da Fazenda, María Jesús Montero, disse nesta quarta-feira que a partir do dia 26 de abril, quando o período de estado de emergência chegar ao fim, o governo vai anunciar medidas progressivas para que os cidadãos possam, pouco a pouco, "recuperar sua vida normal".

Mesmo com a crise, os países começam a olhar para o futuro seguindo uma diretriz principal: ter cautela.

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