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Militares russos em uma parada militar na Praça Vermelha em Moscou | NATALIA KOLESNIKOVA/AFP
Militares russos em uma parada militar na Praça Vermelha em Moscou| Foto: NATALIA KOLESNIKOVA/AFP

A Câmara baixa do Parlamento da Rússia aprovou uma lei nesta terça-feira (19) que proíbe seus soldados de tirar selfies ou fornecer informações pessoais em redes sociais que permitam localizá-los ou identificá-los.

A Duma, como a Câmara é conhecida, aprovou a lei com 90,7% dos votos a favor, segundo informaram agências de notícias russas. Ela irá agora o Conselho da Federação, equivalente ao Senado, onde certamente será aprovada. Depois, vai à sanção do presidente Vladimir Putin.

A medida tem duas funções. Uma, mais óbvia, é de sigilo sobre a atividade dos militares. A outra é uma reação ao trabalho de sites investigativos, como Bellingcat ou Meduza, que se especializam em buscar divulgar informações que a grande mídia russa evita publicar para não contrariar o Kremlin.

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Nos últimos anos, o uso de informação aberta na rede permitiu, por exemplo, localizar soldados russos em ação nas áreas separatistas pró-Moscou do leste da Ucrânia. Para o governo, esse tipo de reportagem ameaça a segurança nacional.

A lei institucionaliza uma norma de 2017 do Ministério da Defesa russo, que recomendava às tropas discrição: nada de selfies, fotos de colegas fardados ou "check-ins" que permitam a jornalistas ou a inimigos localizarem os militares.

A lei prevê que as Forças Armadas submetam quem a desrespeita a "medidas disciplinares", sem especificar quais seriam.

Desconexão

A discussão se insere no contexto da relação cada vez mais desconfiada da Rússia de Putin com a internet.

Na semana passada, o governo russo disse considerar fazer um teste de desconexão da internet do país de servidores estrangeiros. A ideia é fazer todo o tráfego de informações ser direcionado para roteadores controlados pelo Kremlin.

A justificativa para o teste, que pode ocorrer em abril, é proteger a Rússia de uma tentativa de desligamento da internet no país por potências ocidentais, que controlam os servidores que servem de base para os sistemas de endereço da rede mundial de computadores.

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O governo Putin considera as acusações contra si uma desculpa de países ocidentais para eventualmente fazer um grande ataque cibernético à Rússia.

Críticos do Kremlin temem, contudo, que tudo seja uma experiência para viabilizar um sistema de controle de informações centralizado pelo governo, ao estilo da China, cuja ditadura comunista bloqueia o acesso a diversos sites que consideram prejudiciais ao regime.

Hackers

Tudo isso ocorre na esteira das acusações contra hackers russos de interferir na eleição presidencial americana de 2016 em favor de Donald Trump.

Um relatório da companhia CrowdStrike, publicado nesta terça-feira (19), mostra que os russos são mais rápidos em hackear sistemas de computadores do que, por exemplo, os chineses. Se passam apenas 19 minutos para que o ataque se torne uma grande invasão, possibilitando roubo e destruição de arquivos. Os norte-coreanos são os segundos do ranking da CrowdStrike, levando em média duas horas para realizar um grande ataque.

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