Manifestante é baleado durante os confrontos com as forças de segurança em Burkina Fasso | Reuters/Joe Penney
Manifestante é baleado durante os confrontos com as forças de segurança em Burkina Fasso| Foto: Reuters/Joe Penney

O presidente de Burkina Faso, Blaise Compaoré, anunciou que por enquanto vai continuar no poder e o deixará após um "período de transição", quando se compromete a ceder o comando ao presidente que for eleito democraticamente, declarou em um pronunciamento à nação.

Em seu discurso, Compaoré também informou da suspensão do estado de sítio que ele mesmo tinha decretado na tarde de quinta-feira (30), após os protestos violentos na capital, Ouagadogou, contra sua vontade de prolongar seu mandato, que já dura 27 anos.

O chefe de Governo, que manteve a dissolução do Executivo anunciada horas antes, também confirmou o "cancelamento" do projeto de lei para modificar a Constituição que ia permitir-lhe aspirar a um quinto mandato, contra o que os burquinenses protestaram maciçamente durante esta semana.

Compaoré pediu aos líderes da oposição que ponham fim às manifestações e apelou para o diálogo com "todos os atores" para buscar um caminho rumo à paz e ao restabelecimento da calma.

"Os protestos que devastaram e afundaram nosso povo em um estado de estupor não honram esta terra, mas escutei a mensagem e compreendi as elevadas aspirações de mudança", admitiu.

Compaoré também expressou seus "pêsames às famílias das vítimas", entre as quais figura uma centena de mortos, informaram fontes da oposição política ao portal de notícias "Burkina 24".

Ele também pediu para a Polícia e manifestantes respeitarem a integridade física dos cidadãos e a propriedade pública e privada.

"Continuo convencido de que o diálogo construtivo permitirá a nosso povo recuperar a tranquilidade de antes e olhar para o futuro com confiança", acrescentou.

Horas antes do discurso do presidente, o chefe do Estado-Maior, Honoré Nabere Traoré, anunciou a dissolução do Parlamento e do Governo, através de um comunicado.

O chefe do Exército burquinense informou da criação de um "órgão de transição", integrado por "todas as forças da nação", para garantir o retorno à normalidade em um prazo de 12 meses. Além disso, decretou o toque de recolher em todo o país.

Os protestos contra o presidente de Burkina Faso - que está no poder desde 1987 após protagonizar um golpe de Estado no qual morreu seu antecessor, Thomas Sankara - começaram há dois dias, quando milhares de pessoas se manifestaram na capital ao grito de "Vinte e sete anos é suficiente", em alusão ao tempo que Compaoré está no poder.

Desde sua independência em 1960 até a chegada de Campaoré à presidência em 1987, a história de Burkina Faso, antes conhecido como Alto Volta, se caracterizou por uma sucessão de golpes de estado.

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