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Vídeo| Foto: RPC TV

A Procuradoria Geral da Rússia confirmou nesta terça-feira que o descarrilamento de um trem de passageiros que cobria a rota entre Moscou e São Petersburgo e que deixou 60 feridos, na noite de segunda-feira (horário local), foi um atentado terrorista.

- Começamos um processo penal com base no artigo 205. Isto é terrorismo - disse Serguei Bednichenko, chefe de Departamento da Procuradoria Geral, citado pela agência russa Interfax.

Ele acrescentou que o descarrilamento do trem aconteceu em conseqüência da explosão de uma bomba caseira. O alto funcionário informou que 24 investigadores e 60 agentes estão trabalhando no caso.

O trem número 166 do Nevski Express, levando 231 pessoas, descarrilou às 14h38m (no horário de Brasília) de segunda-feira, na região de Novgorod. Ele estava a poucos metros da entrada de uma ponte de 12 metros de altura e a cerca de uma hora de viagem da sua estação de destino, São Petersburgo.

Um funcionário da empresa Ferrovias da Rússia (RZD) disse a uma rede de televisão que o maquinista e o pessoal do trem ouviram uma detonação momentos antes do descarrilamento. A velocidade naquele momento era próxima aos 190 km/h.

- Só nos salvamos porque íamos muito rápido. Se o trem estivesse a uma velocidade menor, as conseqüências teriam sido terríveis - disse à emissora Canal 1 da televisão russa uma comissária do trem.

O Canal 1 citou testemunhas do descarrilamento, que disseram que o trem praticamente voou sobre a ponte e saiu da ferrovia.

Segundo a RZD, 25 das 60 pessoas que receberam atendimento médico permanecem hospitalizadas, três delas em estado grave.

Ação externa

A empresa ferroviária russa disse que a explosão foi provocada por uma "ação externa", o que sugere a ocorrência de sabotagem, ao invés de falha técnica.

A nota da empresa diz ainda que "como resultado de uma explosão às 21h38 (14h38 em Brasília), vários vagões do trem de passageiros número 166, de Moscou a São Petersburgo, descarrilaram". De acordo com fontes do sistema ferroviário, "12 vagões descarrilaram: todos menos o primeiro", enquanto o Ministério de Situações de Emergência afirma que apenas quatro vagões descarrilaram e que nenhum virou.

- O maquinista disse ter ouvido um estampido alto - afirmou a uma TV local o assessor do presidente da empresa ferroviária, Alexander Pirkov.

O acidente ocorreu na região de Novgorod, cerca de 500 quilômetros ao norte de Moscou, perto da aldeia de Malaya Vishera.

Explosões

Viatcheslav Zinurov, um dos passageiros do trem acidentado, disse por telefone à televisão pública que "os três ou quatro últimos vagões tombaram" e que "há muitos feridos". Um motorista que estava no trem disse ter ouvido duas explosões.

- Ouvimos duas explosões, então o trem freiou de repente - disse ele, que não quis ser identificado. - O trem sacudiu e começou o pânico. Nós quebramos o vidro e começamos a ajudar os passageiros a sair. O maior dano foi no vagão do restaurante. Lá estava a maior parte dos feridos.

Fontes policiais disseram à agência Interfax que uma cratera com 1,5 metro de diâmetro foi achada sob um dos vagões.

Esse trecho ferroviário, entre as duas maiores cidades russas, é o mais movimentado do país. As agências disseram que a ferrovia foi fechada, mas que rotas alternativas foram acionadas para manter o serviço ferroviário.

Ataques violentos

A Rússia tem um histórico de ataques violentos contra alvos civis, muitos deles realizados por grupos ligados a separatistas da Chechênia (sul). Mas os insurgentes não realizam ataques fora da Chechênia e regiões vizinhas há pelo menos um ano, depois que muitos separatistas foram mortos ou presos.

Este é o terceiro acidente ferroviário que acontece na Rússia nos últimos dois meses. Em julho, muitas pessoas ficaram feridas quando outro trem de passageiros descarrilou perto da cidade de Ecaterimburgo, nos Urais. E no dia 17 de junho, uma colisão entre um trem de passageiros e um de cargas deixou 64 feridos.

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