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Imagem de Putin é projetada em tela durante entrevista ocorrida ontem, em Moscou | Kremlin/Reuters
Imagem de Putin é projetada em tela durante entrevista ocorrida ontem, em Moscou| Foto: Kremlin/Reuters
  • Khodorkovsky, desafeto de Putin e preso na Rússia já foi o homem mais rico do país

O presidente Vladimir Putin mostrou que na Rússia as coisas ocorrem como e quando ele quer. Ele anunciou ontem que decidiu anistiar o ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky, preso há dez anos por lavagem de dinheiro, fraude e evasão fiscal.

Hoje com 50 anos, o empresário fez fortuna nos anos 90 ao adquirir a gigante do petróleo Yukos durante a privatização das estatais russas.

Foi acusado, durante o primeiro governo Putin, de lavar US$ 23,5 milhões (R$ 54 milhões) e roubar petróleo de poços estatais. Seu patrimônio já foi estimado em US$ 15 bilhões (R$ 34 bilhões).

Quando as autoridades o prenderam pela primeira vez, em 2003, Putin foi acusado de operar para punir um adversário, além de tentar intervir na economia para retomar o controle petrolífero. Dois anos depois, Khodorkovsky foi condenado – na época, Putin o chamou de "ladrão".

O "perdão" de agora atende a uma estratégia de Putin para melhorar a imagem da Rússia no exterior, a dois meses dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, na costa do mar Negro. Ele vinha sofrendo pressão de entidades de direitos humanos por manter um inimigo na cadeia.

Em encontro com jornalistas em Moscou, o presidente disse que os dez anos de cadeia de Khodorkovsky já eram suficientes e que resolveu soltá-lo depois de receber uma carta em que o ex-magnata pede para ser libertado antes de agosto de 2014, quando acabaria sua pena. "Ele escreveu uma carta para mim pedindo clemência."

Há controvérsias sobre o documento. "Ele nunca assinou isso, e não tenho nenhuma informação de que alguém tenha feito esse apelo", disse Vadim Klyuvgant, advogado do preso.

Espionagem

Putin disse ontem que a espionagem é necessária para qualquer país do mundo, mas defendeu a regulação da atividade. Ele ainda disse sentir inveja de Obama por poder fazer o monitoramento sem ser punido.

Snowden

O presidente russo negou que tenha interrogado Snowden, a quem concedeu asilo temporário. "Não o conheço pessoalmente, nunca me reuni com ele. É um homem nobre, interessante, mas ele deve decidir seu futuro."

Ártico

Medidas firmes serão tomadas pela Rússia para evitar que grupos ambientalistas interfiram na exploração de petróleo e outras atividades econômicas no Ártico. Putin acusou outros países de instruírem o Greenpeace.

Ucrânia

Putin disse que a ajuda financeira à Ucrânia não é para afastar o país da União Europeia. A redução do preço do gás e a compra de títulos da dívida pública ucraniana são uma ajuda para "um país e um povo irmão".

Acordo

A Rússia comprará US$ 15 bilhões (R$ 34,5 bilhões) em títulos da dívida pública ucraniana e reduzirá em cerca de 30% o preço do gás vendido a Kiev. Para analistas, acordo quer diminuir influência da União Europeia.

Mísseis

Putin negou que a Rússia tenha posicionado mísseis em Kaliningrado, mas disse que considera essa possibilidade uma maneira de deter o sistema de defesa antimísseis que os EUA promovem na Europa.

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