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Presidente americano, Donald Trump, não é partidário da diplomacia tradicional, que prioriza envolvimento em organizações internacionais | MANDEL NGAN/AFP
Presidente americano, Donald Trump, não é partidário da diplomacia tradicional, que prioriza envolvimento em organizações internacionais| Foto: MANDEL NGAN/AFP

A decisão dos Estados Unidos em se retirar do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas é mais uma das medidas tomadas pelo governo de Donald Trump em se retirar de tratados assinados em outras administrações ou se retirar de organizações internacionais. Desde que chegou à Casa Branca, em janeiro de 2017, ele já anunciou a saída do Tratado de Associação Transpacífica,  do Acordo de Paris sobre o Clima, do Acordo Nuclear com o Irã e da Unesco.

A retirada do Tratado de Associação Transpacífica

Dias após a sua posse, Trump anunciou a retirada da maior economia mundial do TPP, que tinha sido endossado pelo seu antecessor, Barack Obama, como contrapeso à crescente influência política e econômica chinesas. A justificativa de Trump era o de proteger os interesses dos trabalhadores americanos 

O acordo, que foi assinado em março de 2018 por 11 países, reduz as tarifas e estabelece novas regras de comércio internacional em um mercado que envolve mais de 500 milhões de pessoas e um sétimo da economia global. 

Leia também:  A morte do TPP: os perigos de fechar-se ao mundo ï»¿

Mas Trump admitiu em abril a possibilidade de voltar ao acordo. O objetivo seria o de conter a crescente influência chinesa na economia e política mundial. 

A saída do Acordo de Paris sobre o Clima 

Em junho de 2017, os Estados Unidos anunciaram a sua decisão de sair do Acordo de Paris sobre o clima. Ele objetiva a adoção de medidas para tentar conter o aquecimento global e que conta com a adesão de 195 países. 

O argumento de Trump para a retirada foi econômico. Segundo ele, o acordo é uma barreira burocrática, que impede a expansão industrial e favorece economias como as da China e da Índia. 

Leia também:  O vaivém dos Estados Unidos com o Acordo de Paris ï»¿

Assim como no TPP, Trump admite a possibilidade de voltar a aderir ao Acordo de Paris sobre o Clima. Porém, ele faz uma restrição: só quando cláusulas econômicas consideradas justas para os Estados Unidos forem adotadas. 

O acordo nuclear com o Irã 

Apesar de esforços e clamores contrários, Trump anunciou em maio de 2018 a retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irã, firmado em 2015 entre sete países. 

O presidente americano declarou que considera o acordo "desastroso" e "uma grande ficção", e acusou o Irã de ser "o principal Estado patrocinador do terrorismo", dando apoio a grupos como o Hamas, Hezbollah, Talibã e a Al Qaeda. 

Trump declarou que considera o acordo "insano" e "um desastre", já que ele não contemplou o programa de mísseis balísticos do Irã, que continua a operar, nem lidou com a intervenção do país nas guerras da Síria e do Iêmen. 

Leia também:  O que é o acordo nuclear com o Irã e por que ele é criticado? ï»¿

A retirada dos EUA não significa que o pacto, cujo objetivo é frear o programa nuclear do Irã, tenha se extinguido. Líderes dos outros seis países que integram o combinado devem reiterar sua permanência e traçar novas estratégias para lidar com a ameaça nuclear iraniana. 

Mesmo assim, o líder norte-americano considera que estar "pronto e aberto" às tratativas para um novo acordo. 

A saída da Unesco 

Em outubro de 2017, o governo de Donald Trump anunciou a decisão de retirar os Estados Unidos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). As justificativas foram questões financeiras e um suposto viés anti-Israel adotado pela entidade. 

O país tinha suspendido sua contribuição financeira à entidade em 2011, após esta conceder o status de membro pleno à Autoridade Nacional Palestina.

Leia também: Estados Unidos anunciam saída da Unesco. Israel acompanha decisão

Esta não foi a primeira vez que os Estados Unidos saíram da Unesco. Nos anos 1980, Washington tomou a mesma decisão alegando que a agência era mal administrada, corrupta e usada para promover interesses soviéticos. Os EUA voltaram a integrar o órgão em 2003.

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