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Foto histórica mostra vietnamitas na casa de diretor da CIA, tentando fugir do país em 1975. | Wikimedia Commons
Foto histórica mostra vietnamitas na casa de diretor da CIA, tentando fugir do país em 1975.| Foto: Wikimedia Commons

Na primavera de 1975, os Estados Unidos começavam a esquecer o horror da Guerra do Vietnã, seus 58 mil soldados mortos e a vergonhosa retirada parcial do país, mas a tomada de Saigon pelos norte-vietnamitas aprofundou a ferida e tornou definitiva a derrota e o êxodo.

A icônica foto de dezenas de pessoas nas escadas da residência do subdiretor da CIA em Saigon — hoje rebatizada Ho Chi Minh — para embarcar em um dos últimos helicópteros que deixava a cidade foi o símbolo final de uma guerra que deixou uma profunda marca nos Estados Unidos.

15,4 milhões de toneladas

de explosivos foram lançadas sobre o Vietnã pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã entre 1965, quando os americanos enviaram tropas, e 1975. A ONG britânica Grupo Assessor sobre Minas calcula que 10% deles ainda não explodiram.

A “Operation Frequent Wind”, a maior evacuação já feita em helicópteros, devia começar de maneira ordenada, com um código secreto que estrangeiros e vietnamitas conheciam e com bilhetes de saída do país.

A rádio das forças americanas tocaria a música “I’m Dreaming of a White Christmas”, de Bing Crosby, sinal para a retirada. Alguns dizem que correram ao ritmo da música no dia 29 de abril, outros que não a escutaram. E a operação foi um caos.

Em 30 de abril de 1975, o exército do Vietnã do Norte entrou vitoriosa em Saigon, enquanto quase ao mesmo tempo milhares de sul-vietnamitas, que tinham colaborado com os americanos, buscavam refúgio na embaixada dos EUA.

Os acordos de Paris de 1973, que deram um fim à luta dos Estados Unidos contra os comunistas de Ho Chi Minh, e o recém-eleito presidente Gerald Ford fizeram com que Washington mudasse sua política.

Quatro décadas depois, antigos inimigos têm parceria estratégica

O êxodo de vietnamitas para os Estados Unidos a partir de 1975 marcou o fim de décadas de guerras no sudeste asiático, que começaram com a luta pela independência da Indochina contra os franceses e continuou com o envio de mais de meio milhão de soldados americanos para uma guerra contra o comunismo que se tornou desastrosa.

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Milhares de vietnamitas abandonaram Saigon em helicópteros militares que aterrissaram depois em porta-aviões, que incapazes de abrigar também aeronaves vietnamitas começaram a lança-las no mar.

“O dia mais triste” ou “o abril negro” é como ainda lembram daquela jornada na primavera de 1975 muitos vietnamitas que se refugiaram nos Estados Unidos. Neste dia, começou uma diáspora que os obrigou a fincar raízes em um país estranho, onde agora estabeleceram seu lar.

Em Orange County (Califórnia), Nova Orleans (Louisiana) e Falls Church (Virgínia), a bandeira de listras vermelhas sobre um fundo amarelo do extinto Vietnã do Sul, inda tremula.

“Quando chegamos aqui havia negros, filipinos, samoanos, nicaraguenses, por isso no geral foi um país extraordinário que nos deu as boas-vindas”, disse Andrew Lam, filho de um ex-militar sul-vietnamita, que escapou de Saigon com 11 anos e hoje é escritor.

A base dos fuzileiros navais em Camp Pendleton (Califórnia) foi o primeiro lar para 50 mil refugiados sul-vietnamitas, famílias inteiras que pensaram que o país ficaria dividido, como no caso das duas Coreias, mas que se viram obrigados a fugir com a anexação do sul.

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