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Impasse eleitoral

Quem é Benny Gantz, rival de Netanyahu que pode se tornar primeiro-ministro de Israel

    • Washington Post
    • 19/09/2019 20:40
    O ex-general militar israelense Benny Gantz, líder e candidato do Azul e Branco, em coletiva de imprensa em Tel Aviv, 19 de setembro de 2019
    O ex-general militar israelense Benny Gantz, líder e candidato do Azul e Branco, em coletiva de imprensa em Tel Aviv, 19 de setembro de 2019| Foto: JACK GUEZ / AFP

    Com o impasse produzido pela recente eleição parlamentar, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu enfrenta a perspectiva de uma derrota eleitoral pela primeira vez em mais de uma década. Na tentativa de preservar seu poder, ele propôs um governo de unidade com seu oponente, Benny Gantz, líder da aliança Azul e Branca.

    Gantz, um ex-general militar de 60 anos sem experiência política anterior, indicou que está aberto a um governo de unidade - desde que Netanyahu não esteja no comando. Com Netanyahu enfraquecido politicamente e enfrentando acusações criminais em três casos separados de corrupção, Gantz emergiu como um forte candidato a ser o próximo líder de Israel.

    Depois de realizar uma campanha de nove meses contra o primeiro-ministro que permaneceu por mais tempo no cargo do país e de dar um golpe esmagador no legado de Netanyahu, Gantz se posicionou como a antítese do estilo político sagaz e incisivo de Netanyahu, dizem os especialistas.

    "Ele é como o oposto de Netanyahu", disse David Makovsky, pesquisador do Instituto de Política para o Oriente Próximo de Washington.

    O comportamento discreto e estável de Gantz faz com que as pessoas "o vejam como uma pessoa íntegra e diferente no país", acrescentou Makovsky.

    Carreira militar

    Nascido no sul de Israel e filho de sobreviventes do Holocausto, Gantz ingressou nas forças armadas em 1977 aos 18 anos e avançou gradualmente em uma carreira militar que durou 38 anos e é cheia de marcos.

    Em 1989, como comandante de uma unidade de elite da Força Aérea de Israel, ele supervisionou uma operação que transportou para Israel 14.500 judeus que estavam vulneráveis ​​à perseguição na Etiópia. Uma década depois, ele serviu como comandante das forças israelenses que ocupavam o sul do Líbano e depois supervisionou a retirada do país da região.

    Ele se tornou o chefe do Estado Maior das forças armadas em 2011. Enquanto ocupava o cargo, as Forças de Defesa de Israel (FDI) travaram duas guerras em Gaza em 2012 e 2014, pelas quais o governo e Gantz enfrentaram críticas internacionais.

    Um relatório da Organização das Nações Unidas publicado em 2015 revelou que Israel e grupos militantes palestinos provavelmente cometeram crimes de guerra no conflito de 2014, que deixou 2.251 palestinos mortos, 65% dos quais eram civis.

    Gantz assumiu o seu passado. Em janeiro, ele publicou um anúncio de campanha em que assumia o crédito pelas 1.364 pessoas que as FDI mataram na guerra de 2014.

    Propostas políticas

    Depois de se aposentar das forças armadas em 2015, Gantz passou alguns anos no mundo dos negócios antes de voltar sua atenção para a disputa do cargo mais alto na política israelense.

    Em dezembro de 2018, Gantz anunciou a formação de um novo partido chamado Resiliência de Israel, que adotou políticas que enfatizavam a educação e a segurança nacional. Em fevereiro, ele uniu forças com outro grupo centrista para formar o partido Azul e Branco.

    A plataforma do Azul e Branco deixa clara sua posição em relação a assuntos domésticos. O partido defende transporte público limitado no Shabat (o dia de descanso do Judaísmo), um período escolar mais longo para ajudar os pais que trabalham em período integral e um limite de tempo no cargo de primeiro-ministro (uma possível provocação a Netanyahu, a quem Gantz criticou por permanecer no poder por muito tempo).

    Mas Gantz foi menos transparente em questões polarizadoras como o conflito intratável com os palestinos, que já dura décadas. Ao mesmo tempo que o ex-chefe militar defendeu o estabelecimento da paz com os palestinos, ele se recusou a endossar completamente uma solução de dois estados que formasse um estado palestino independente ao lado de Israel. Analistas dizem que essa indefinição pode ser uma tentativa do candidato de atrair apoiadores de Netanyahu que não sejam tão de direita.

    "Ele reflete a visão do establishment da defesa de que Israel precisa encontrar maneiras de se adaptar com os palestinos quando se trata da Cisjordânia e Gaza", disse Makovsky sobre Gantz.

    Enquanto Netanyahu defendeu a anexação de mais territórios na Cisjordânia ocupada, especialistas dizem que Gantz provavelmente não adotaria esse tipo de expansão.

    Yohanan Plesner, presidente do Instituto de Democracia de Israel, um grupo de estudos israelense disse que, sob Gantz, "noções de anexação unilateral estarão fora de questão". Ele acrescentou, no entanto, que se espera que Gantz "entre no jogo" de qualquer tipo de plano de paz apresentado pelo governo Trump.

    O conselheiro e genro de Trump, Jared Kushner, realizou uma cúpula em junho sobre o assunto no Bahrein, que foi vista como improdutiva, uma vez que autoridades palestinas e israelenses não estavam presentes.

    Agora que a votação terminou, ainda restam dúvidas sobre se o veterano militar experiente pode enfrentar a turbulência da política israelense no processo de construção de coalizão. Plesner disse que, embora ele seja um político novato, sua ascensão, apesar de pouco tempo em cena, provou que ele pode ter algum talento natural.

    "Há menos de um ano, ele não fazia parte do sistema político e agora está a alguns passos de entrar no gabinete do primeiro-ministro", disse Plesner.

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