Cenário

A situação é tão delicada que o melhor cenário corrente para os democratas contempla ceder as quatro vagas abertas e a reeleição no Arkansas, safar-se nos demais pleitos e esperar a vitória do independente do Kansas, contando com a provável adesão dele à base. A agonia desse cenário se este nderia além de 4 de novembro, pois a corrida na Louisiana deverá ir para o segundo turno, pelas regras locais, e ocorreria apenas no começo de dezembro. Mesmo nessa hipótese, o Senado ficaria dividido meio a meio. Para benefício da base de Obama, o voto de minerva nesses casos, pela legislação, cabe ao vice-presidente, atualmente o democrata Joe Biden.

A reta final da campanha eleitoral para renovação parcial do Senado dos EUA se converteu num pesadelo para os democratas, que comandam a maioria da Casa, com 55 cadeiras.

Com a popularidade do presidente Barack Obama severamente arranhada e uma economia cujos fundamentos melhoram, mas não produzem efeito significativo no bolso dos eleitores, os republicanos, com 45 senadores, chegam a 29 dias do 4 de novembro com mais de 60% de chances de conquistar as seis vagas de que precisam para assumir controle total do Legislativo.

Segundo projeções, a oposição tem chances de vencer em 11 estados, liderando oito corridas por margem ampla ou apertada. Se os resultados se confirmarem, Obama será o principal derrotado, pois o governo sofrerá no Congresso, sem chance de aprovar qualquer reforma importante, como a da imigração, e com dificuldades para vencer votações cotidianas, como as orçamentárias.

No embate, os republicanos estão particularmente bem posicionados para tirar dos democratas quatro vagas abertas com a aposentadoria dos titulares: Montana, Dakota do Sul, Virgínia Ocidental e Iowa. Os democratas estão tendo dificuldades ainda de assegurar a reeleição de senadores no Arkansas, no Colorado, no Alasca e na Louisiana e de tomar a vaga dos republicanos na Geórgia.

No Kansas (outra corrida central do ciclo), os democratas renunciaram à disputa há três semanas para aumentar as chances do empresário independente Greg Orman — cujo potencial é de aliança com a base de Obama no Congresso — de desbancar a oposição, um cenário cada vez mais provável. Tranquilidade democrata relativa, só na reeleição de Kay Hagan, na Carolina do Norte.

Pesquisa

Para analista, apenas um "surto de má sorte" atrapalharia oposição

Para o cientista político Larry Sabato, coordenador do projeto de previsões Bola de Cristal, da Universidade de Virgínia, um novo Senado nos EUA de maioria republicana, por um a três senadores de diferença, é algo bem provável. "Há tantas disputas em aberto que podem ser vencidas pelos republicanos que o partido teria que ter um surto de má sorte, combinado a um esforço realmente excepcional dos democratas de mobilização de eleitores para votar, para derrubar todas as chances. Os republicanos têm obtido resultados positivos em estados que Obama ganhou em 2012, sugerindo bom momento além do território tradicional do partido. Os democratas estão pagando no ciclo de 2014 o preço da conjuntura política desfavorável para a Casa Branca, diz o professor Christopher Arterton, diretor de Pesquisas da Universidade George Washington (GWU). As eleições intermediárias, como são chamados os pleitos entre as corridas presidenciais, costumam ser difíceis para o partido que ocupa a Casa Branca, devido ao desgaste natural associado à reeleição. Neste ano, o azedume dos eleitores é maior: 70% afirmam que os EUA estão no caminho errado. "Apesar da antipatia do público com o Congresso, particularmente em relação aos líderes republicanos na Câmara, Obama virou o para-raios para a insatisfação em várias frentes: orçamento e gasto público [desaprovação de 61%], política externa [58%], capacidade de trabalhar com o Legislativo [57%] e até imigração [57%]", explica Arterton.

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