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investigação

Substância identificada no envenenamento de ex-espião foi desenvolvida pela União Soviética

Autoridades britânicas identificaram como Novichok o agente tóxico usado para envenenar Sergei Skripal e sua filha. O Reino Unido acusa a Rússia de estar por trás da ação

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Investigadores usam macacões de proteção perto do Hospital Distrital de Salisbury, em Salisbury, no sul da Inglaterra  | DANIEL LEAL-OLIVAS/AFP
Investigadores usam macacões de proteção perto do Hospital Distrital de Salisbury, em Salisbury, no sul da Inglaterra  DANIEL LEAL-OLIVAS/AFP
 
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O Novichok —agente identificado pelas autoridades britânicas no envenenamento do ex-espião russo— é uma série de substâncias tóxicas desenvolvidas pela União Soviética nos anos 1970 e 1980. A primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou nesta segunda-feira (12) que é "altamente provável" que a Rússia seja o ator por trás do envenenamento.

Supostamente, são os mais letais agentes neurotóxicos. Algumas variantes são de cinco a oito vezes mais potentes que o VX - substância usada para matar Kim Jong-nam, meio-irmão do ditador norte-coreano, Kim Jong-un, na Malásia.

Em artigo publicado em 1992, o cientista russo Vil Mirzayanov informa muito do que se sabe sobre o Novichok —ele chegou a ser preso sob a acusação de ter revelado segredos de Estado, mas solto depois. Ele vive nos EUA hoje.  

Leia mais: O terrível e recorrente histórico dos assassinatos de dissidentes russos ao redor do mundo

O Novichok aparece em forma de um pó muito fino, em vez de gás ou vapor.  

Ele provoca a contração involuntária de todos os músculos, o que leva a uma falência cardíaca e respiratória. A morte é por insuficiência cardíaca ou por sufocamento, já que abundantes quantidades de secreções enchem os pulmões das vítimas.

Vestígios do agente tóxico foram encontrados no pub em que o ex-espião e sua filha almoçaram no dia 3, em Salisbury (130 km de Londres).

Acusação

Em discurso no Parlamento, May afirmou que, ou o Estado russo foi diretamente responsável pelo envenenamento, ou permitiu que o agente neurotóxico que contaminou os dois chegasse às mãos de terceiros.  

O embaixador russo em Londres foi convocado para que dê explicações sobre o motivo de o agente neurotóxico ter ido parar em Salisbury.  

May afirmou que, na falta de "explicações críveis" por parte do governo russo, o Reino Unido vai considerar o caso como o de "uso ilegal de força" dentro do território britânico, e que seu governo irá tomar medidas contra a Rússia.

‘Jogo perigoso’

O governo russo continua negando ter qualquer envolvimento com o ataque a Skripal. Nesta segunda (12), o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que "isso não é problema da Rússia", ressaltando que Skripal é um russo que trabalhou para o serviço secreto britânico e foi alvo da ação no Reino Unido.  

Antes do discurso de May, a Embaixada da Rússia em Londres acusou o governo britânico de estar fazendo um jogo perigoso ao vincular a Rússia ao envenenamento.  

"A atual política do governo britânico para a Rússia é um jogo muito perigoso em que se joga com a opinião pública" e que "acarreta o risco de consequências mais sérios no longo prazo para nossas relações", afirmou um porta-voz em uma nota.  

Um influente âncora da TV russa Vesti Nedeli sugeriu nesta segunda que foi o próprio Reino Unido quem planejou o envenenamento.  

Leia mais: Duas pessoas são hospitalizadas após pacote suspeito ter sido encontrado no Parlamento britânico

Em uma transmissão assistida por milhões de pessoas, Dmitri Kiselyov afirmou que Skripal pode ter sido sacrificado como um pretexto para um boicote internacional da Copa do Mundo deste ano, em Moscou, segundo relato do jornal britânico The Guardian.  

"Por que não envenená-lo?", afirmou Kiselyov. "Ele é tão valioso? E fazer isso com sua filha para manipular o emocional do público."  

A desconfiança sobre o papel do Kremlin vem do fato de que alguns críticos do governo de Vladimir Putin foram assassinados em circunstâncias misteriosas ao longo dos anos.  

Caso similar

No mundo da espionagem, o caso que mais chama a atenção pela similaridade com o episódio atual foi o envenenamento pelo isótopo radioativo polônio-210 de Alexander Litvinenko, morto em 2006 no Reino Unido.  

Apesar dos elementos coincidentes, contudo, há algumas diferenças. Litvinenko era um desertor e trabalhava ativamente contra o Kremlin, que também nega participação de seus serviços secretos na morte, como acredita o Ocidente.  

Já Skripal havia sido condenado em solo russo e foi perdoado judicialmente pelo governo numa troca de agentes com os britânicos.  

Pelas regras não escritas do submundo das comunidades de inteligência, isso é uma espécie de salvo-conduto de morte pela mão de antigos pares, o que torna o episódio ainda mais nebuloso.

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