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Eleições nos EUA

“Surpresa de outubro” é a última esperança republicana

A duas semanas da eleição, partido de McCain precisa de notícia bombástica para chacoalhar campanha

  • PorAndré Lückman
  • 18/10/2008 22:03

Contra-ataque

O site Politico.com abriu um fórum para que colaboradores opinem sobre o que faria John McCain virar o jogo e subir nas pesquisas. A maioria dos comentários foi sarcástica ou, no mínimo, bem-humorada. Confira uma pequena seleção:

"McCain captura Osama bin Laden e o entrega pessoalmente a Bush em uma cerimônia na Casa Branca, na véspera das eleições."

Dean Baker, diretor do Center for Economic Policy Research.

"Conto de fadas: Dow Jones flutua para 14.000; uma descoberta de fusão a frio revoluciona a produção de energia limpa e barata; cria-se nova demanda de exportação de produtos norte-americanos; fábricas reabrem e oferecem crédito aos funcionários; e tudo isso com McCain segurando a varinha mágica."

Rosabeth Moss Kanter, professora da Harvard Business School.

"Rússia invade a Ucrânia."

Tom Korologos, ex-embaixador, consultor e estrategista republicano.

O terceiro debate da campanha presidencial norte-americana foi considerado a última chance para John McCain desferir um golpe que nocauteasse seu rival democrata Barack Obama, que lidera as pesquisas com cerca de sete pontos de vantagem há três semanas.

O nocaute não saiu, e, ao fim da disputa, Obama nem estava suado. Faltando 15 dias para as eleições, analistas acreditam que já é tarde para McCain mudar de estratégia.

De acordo com as avaliações, os republicanos só conseguirão reverter o jogo com um milagre ou com uma "surpresa de outubro", ou seja, com uma notícia bombásica nos notíciários que seja capaz de chacoalhar a opinião pública.

O estouro de uma grande polêmica pessoal dos candidatos ou de outra crise internacional equivalente à atual crise econômica são algumas possibilidades que ainda não foram descartadas para mudar o rumo da campanha.

Essas surpresas não são incomuns na história das eleições presidenciais norte-americanas. Partidários republicanos têm citado com freqüência nos últimos dias o caso da corrida presidencial de 1980, quando Ronald Reagan se manteve oito pontos porcentuais atrás de Jimmy Carter. Carter, que tentava a reeleição, estava comprometido em resgatar reféns em Teerã, capital do Irã. A dez dias do pleito, a operação foi noticiada como um fracasso. A opinião pública mudou e o republicano Reagan subiu à Casa Branca.

Há bem menos tempo, em 2004, a reeleição de George W. Bush também aconteceu em um ambiente de polêmica: a três dias da eleição, foi divulgado um vídeo de Osama bin Laden ameaçando o povo norte-americano. Analistas apontam que a mensagem do terrorista foi fundamental para assegurar a vitória de Bush em um mundo pós-11 de Setembro: em três dias, o republicano ganhou seis pontos porcentuais nas pesquisas e se reelegeu com a margem de 2,4 pontos porcentuais, (50,7% a 48,3%).

O colunista do New York Times John Harwood afirmou que a própria equipe de Obama admite que uma reviravolta a favor dos republicanos ainda é possível, "no entanto a missão de McCain depende de uma tropeçada de Obama ou de uma crise de segurança nacional", sentenciou. Matthew Dowd, um estrategista republicano nas campanhas de George W. Bush em 2000 e 2004, também afirmou que "a essa altura, a campanha está completamente fora das mãos de John McCain".

Terrorismo x Wall Street

A professora de Relações Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Cristina Pecequilo concorda com outros cientistas em que o fator Bin Laden não pode ser ignorado na lista de possíveis escândalos que assombram as vésperas da eleição.

"Infelizmente, não dá pra descartar esse tipo de coisa, especialmente porque Obama perdeu a chance de agir de forma mais assertiva. Durante as primárias ele insistiu muito na retirada das tropas americanas do Iraque, por exemplo", avalia a pesquisadora. "É óbvio que eu espero que não aconteça, mas depois do 11 de Setembro não dá para desconsiderar esse tipo de coisa", continua.

Um aspecto positivo destacado por ela é que a situação hoje é bastante distinta de 2004 – especialmente em função da crise econômica, cuja culpa é carregada pelo governo republicano, segundo a opinião pública. "Talvez o que funcionou nas urnas de 2004 não funcione mais hoje, com o rombo de Wall Street", sugere.

As pesquisas apontam que os norte-americanos confiam mais nos democratas para lidar com os assuntos econômicos, e nos republicanos para lidar com a segurança nacional. É verdade que o mundo inteiro foi pego em uma "supresa de setembro", com a quebra oficial da bolsa norte-americana e o pânico no sistema econômico mundial, um fato que acabou favorecendo os democratas.

Nesse contexto, em junho, o conselheiro republicano Charlie Black foi repreendido por afirmar que um evento terrorista no meio da campanha presidencial certamente geraria uma grande vantagem para McCain.

"A declaração pode até soar politicamente incorreta, no entanto uma análise objetiva sugere que Charlie Black pode estar certo", avalia o professor da Harvard's Kennedy School of Government, Joseph Nye Jr., relembrando a campanha de 2004. "Tenhamos esperança de que a história não se repita", conclui.

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Interatividade

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