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“A combinação de perda de empregos, aumento da pobreza e fechamento de escolas é uma tempestade perfeita para a proliferação do trabalho infantil”, declarou o diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Vinícius Pinheiro.
“A combinação de perda de empregos, aumento da pobreza e fechamento de escolas é uma tempestade perfeita para a proliferação do trabalho infantil”, declarou o diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Vinícius Pinheiro.| Foto: Daniel Castellano / arquivo Gazeta do Povo

Cerca de 8,2 milhões de crianças entre cinco e 17 anos de idade trabalham na América Latina e no Caribe, uma região que ficou mais longe de erradicar o trabalho infantil por causa da pandemia. O alerta foi feito nesta sexta-feira (11) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

"A combinação de perda de empregos, aumento da pobreza e fechamento de escolas é uma tempestade perfeita para a proliferação do trabalho infantil", declarou o diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Vinícius Pinheiro.

A organização e o Unicef destacaram que a pandemia está neutralizando os esforços da América Latina e do Caribe, a região mais atingida pela Covid-19, para atingir o objetivo de eliminar o trabalho infantil até 2025.

"Abandonar a escola e entrar no mercado de trabalho prematuramente reduz as chances de conseguir melhores empregos no futuro, perpetuando a armadilha da pobreza", alertou Pinheiro.

Trabalho infantil em áreas rurais e urbanas

Dos 8,2 milhões de menores que trabalham na região, a maioria são meninos adolescentes, e 33% são meninas, segundo o novo relatório conjunto OIT-Unicef 2021.

O documento salientou que o trabalho infantil ocorre tanto em áreas rurais quanto urbanas, embora 48,7% seja no setor agrícola e quase 50% dos envolvidos o façam dentro de suas famílias. "Mais de 50% das crianças estão engajadas em trabalhos perigosos, o que prejudica sua saúde, educação e bem-estar", destacam as duas organizações em um comunicado conjunto.

A OIT e o Unicef alertaram que, embora o trabalho infantil na região tenha diminuído em 2,3 milhões entre 2016 e 2020, estima-se que a pandemia possa reverter essa tendência. Isso porque o número de crianças em lares de baixa renda aumentou com a perda de emprego e renda das famílias, e estas podem recorrer à exploração da mão de obra dos menores como um "mecanismo de sobrevivência".

O risco das crianças fora da escola

"Como muitas escolas permanecem fechadas e as famílias empobrecidas em confinamento perderam renda durante meses a fio, estamos vendo mais crianças da América Latina e do Caribe abandonando a escola e entrando no trabalho infantil", afirmou o diretor regional do Unicef, Jean Gough.

"A região esperava ser a primeira no mundo a erradicar o trabalho infantil até 2025, mas a pandemia tornou este objetivo cada vez mais elusivo. E é provável que mais crianças em toda a região caiam em trabalho infantil nos próximos meses, a menos que as famílias recebam ajuda rapidamente", acrescentou Gough.

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