Partido quer terceiro mandato para colombiano

Bogotá – "Nenhum exército muda seu general quando está ganhando a batalha.’’ Com a frase, o Partido Social de Unidade Nacional da Colômbia, a "U’’, justifica sua nova proposta: colher assinaturas dos colombianos para promover um referendo que, se aprovado, permitirá ao presidente Álvaro Uribe disputar o terceiro mandato.

O governo evitou apoiar explicitamente a proposta, classificada de "interessante’’ por um ministro. A "U’’ é um partido de apoio a Uribe, criado em 2005 a pedido do presidente. Para a consulta popular ocorrer, os uribistas precisam do apoio de ao menos 5% do eleitorado. E, no referendo, da participação de 25% dele. A proposta terá de passar ainda pelo Congresso, no qual o governo tem maioria.

Embora exiba um alto índice de aprovação popular, a idéia de que Uribe "está ganhando a batalha’’, principalmente em relação à violência no país, está longe de ser consenso. Ontem, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) criticou em relatório o processo de desmobilização de paramilitares promovido pelo governo. O texto diz que há poucas garantias de que os chefes das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) tenham entregado as armas e aponta falta de apoio às vítimas.

Bogotá – O presidente venezuelano, Hugo Chávez, se reunirá hoje com seu colega colombiano, Alvaro Uribe, para tentar chegar a um acordo sobre os métodos para as negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a respeito de uma troca de prisioneiros. O encontro presidencial ocorre por ocasião da inauguração de um gasoduto binacional.

Além de inaugurar o duto Antonio Ricaurte, de 225 km, em Ballenas, na península de La Guajira (que fica na fronteira entre os dois países), Chávez e Uribe falarão de integração energética e do retorno da Venezuela à Comunidade Andina. Para tratar destes temas foi convidado também o presidente do Equador, Rafael Correa. Mas todas as expectativas estão concentradas nas posições sobre a troca dos prisioneiros.

"O acordo está na agenda desta reunião. De modo que os presidentes o abordarão para ver como poderão impulsioná-lo", disse o chanceler colombiano Fernando Araújo.

Bogotá pediu a Chávez que mediasse as conversações entre o governo colombiano e os rebeldes das Farc. O presidente venezuelano havia expressado sua decepção com as barreiras impostas para estabelecer um acordo com o grupo guerrilheiro.

"Acho que o governo da Colômbia deve facilitar e não criar obstáculos para a reunião", declarou Chávez recentemente, depois que as Farc afirmaram que Bogotá não deu garantias de segurança para que dois de seus homens participassem do encontro no dia 8 de outubro na capital venezuelana.

A Colômbia, por sua vez, pede a Chávez que cumpra seu papel junto às Farc com prudência e sigilo. Caso contrário, "seremos expostos a riscos enormes", argumentou o alto comissário para a paz, Luis Carlos Restrepo.

Uribe e Chávez se reuniram pela última vez em 31 de agosto, na fazenda presidencial Hato Grande, nas cercanias de Bogotá, quando o líder venezuelano foi formalmente encarregado de mediar as negociações.

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