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A neurocientista Maureen Condic, diretora do curso de embriologia humana da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, acredita que a produção de células-tronco de pluripotência induzida (iPS, em inglês) representa um grande avanço para a ciência, em particular para a biomedicina. Porém, ela não acredita que essas células um dia sejam injetadas em pacientes para curar doenças.

"Baseado em todas as evidências científicas acumuladas nas últimas décadas, o uso terapêutico de qualquer célula pluripotente será extremamente problemático", disse Maureen, em entrevista por telefone. "As iPS são as que parecem mais promissoras, mas não tenho grandes esperanças sobre nenhuma delas (pluripotentes)", completa a cientista, que recentemente publicou um artigo na revista "Stem Cells" sobre as dificuldades de regular o uso desse tipo de terapia.

As células pluripotentes são aquelas com capacidade para se transformar em qualquer tecido do organismo. Até recentemente, a única maneira de obter essas células era extraí-las de embriões humanos - o que motivou uma série de restrições éticas à pesquisa.

No final de 2007, porém, surgiu uma nova tecnologia: a reprogramação genética de células adultas (da pele, por exemplo) em células pluripotentes, com as mesmas características das embrionárias.

As primeiras linhagens brasileiras desse tipo de célula (iPS) foram produzidas recentemente por grupos no Rio e em São Paulo. A expectativa quanto ao seu potencial terapêutico é enorme, mas os cientistas são cautelosos: a única aplicação garantida dessas células, por enquanto, é em pesquisa básica, como modelos para o estudo de doenças e a experimentação de drogas in vitro.

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