Presidente da Assembleia Constituinte da Venezuela, Delcy Rodriguez, falou com jornalistas neste sábado (23). | FEDERICO PARRA
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Presidente da Assembleia Constituinte da Venezuela, Delcy Rodriguez, falou com jornalistas neste sábado (23).| Foto: FEDERICO PARRA AFP

A Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela declarou o embaixador do Brasil na Venezuela, Ruy Pereira, persona non grata. 

Segundo a agência de notícias estatal venezuelana, a presidente da Assembleia, Delcy Rodríguez, afirmou que declaração será mantida até que "se restitua a ordem constitucional que o governo Temer rompeu no Brasil, após a destituição da presidente Dilma Rousseff". 

Pereira está no Brasil; ele chegou ao país nesta semana para passar os feriados de final de ano. Quando uma pessoa é declarada persona non grata, ela tem entre 24 e 72 horas para deixar o país. O embaixador brasileiro não poderá retornar à Venezuela enquanto se mantiver a declaração. 

Rodríguez também declarou o encarregado de negócios do Canadá persona non grata. No caso do diplomata canadense, "a medida é uma resposta a sua permanente, insistente e grosseira intromissão nos assuntos internos da Venezuela". 

Rodríguez indicou que, apesar de a chancelaria venezuelana ter pedido para que o funcionário respeitasse a Convenção de Viena, que rege as relações diplomáticas, o diplomata "persistentemente faz declarações com o intuito de dar ordens à Venezuela". 

Rodríguez afirmou que o Ministério das Relações Exteriores fará os procedimentos para concretizar a declaração de persona non grata dos dois diplomatas. 

Procurado, o Itamaraty informou que não havia sido comunicado oficialmente pelo governo venezuelano e que divulgaria uma nota sobre o assunto ainda neste sábado (23). 

Críticas 

A Assembleia Constituinte, convocada pelo ditador Nicolás Maduro e composta integralmente por seus aliados, dissolveu nesta quarta-feira (20) o distrito metropolitano de Caracas e do Alto Apure, em uma decisão que enfraquece a oposição, que, apesar da pressão do regime chavista, continuava a controlar a prefeitura e a Câmara de Vereadores da região da capital venezuelana. 

O governo brasileiro condenou a decisão, assim como a iniciativa da Constituinte que obrigará partidos de oposição a passarem por revalidação para concorrerem às eleições, no que chamou de "continuado assédio" do regime. "São medidas que desmentem o anunciado interesse em buscar uma solução negociada e duradoura para a crise." 

Na quinta-feira (21), o presidente brasileiro Michel Temer falou sobre a Venezuela na abertura da reunião de cúpula do Mercosul, em Brasília. Ele disse que o país foi suspenso do bloco porque "colocou em xeque" direitos fundamentais. Segundo Temer, quando a nação venezuelana voltar à democracia, poderá regressar também ao Mercosul e será "recebida de braços abertos".

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