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“Zuckerdólares” revelam a influência das corporações nas eleições dos EUA
| Foto: Alex Wong/AFP

Todos os olhos estavam voltados para a Pensilvânia durante os dias de contagem das urnas, enquanto as alegações e rumores de irregularidades nas votações se espalhavam como um incêndio, após a eleição presidencial de novembro passado. Embora os resultados tenham sido confirmados, a desconfiança no nosso governo representativo permanece, assim como uma suspeita profunda de que os líderes eleitos são legítimos.

Antes da próxima eleição, a Pensilvânia precisa estudar maneiras de o estado proteger suas eleições futuras, restaurar a confiança e evitar essa turbulência.

Uma pesquisa recente do Opportunity Solutions Project revela várias medidas de bom senso que a Pensilvânia pode tomar para salvaguardar suas eleições.

As ações que provaram ser amplamente populares em todo o espectro político incluem o uso da tecnologia para transmitir a contagem de votos ao vivo e monitorar as urnas eleitorais, a imposição de penalidades aos funcionários que enganam o público e exigir que as cédulas de correio sejam postadas até o dia da eleição.

Cada uma dessas reformas ajudaria muito os cidadãos da Pensilvânia a confiar mais nos resultados das eleições locais.

Mas depois da eleição de 2020, surgiu uma violação mais notória dessa confiança – a influência crescente do dinheiro das grandes corporações nas jurisdições locais. E uma das big techs é a maior transgressora.

Durante o último ciclo eleitoral, a Chan Zuckerberg Initiative (fundada pelo CEO do Facebook Mark Zuckerberg e sua esposa Priscilla Chan) deu ao Center for Tech and Civic Life mais de US$ 350 milhões para conceder "subsídios" às jurisdições locais como uma forma de supostamente ajudar condados e municípios a realizarem suas eleições com segurança durante a pandemia de Covid-19.

Esse dinheiro – que a Foundation for Government Accountability apelidou de “Zuckerdólares” – deveria ajudar nas despesas relacionadas à pandemia, incluindo equipamentos de proteção pessoal e outros desafios únicos em um momento de distanciamento social.

Requerimentos dos registros públicos nos condados da Pensilvânia revelaram que a maior parte desse dinheiro não foi usado para equipamentos de proteção pessoal, mas para esforços de incentivo ao voto e outras despesas não relacionadas ao Covid-19, que influenciaram o comparecimento democrata e na verdade pode ter afetado os resultados da eleição no estado.

Vinte e três jurisdições da Pensilvânia, além do Departamento de Estado da Pensilvânia, receberam mais de US$ 20 milhões do Center for Tech and Civic Life. O condado de Chester recebeu US$ 2,5 milhões, o segundo maior subsídio do estado, e maior do que todo o orçamento do condado para o serviço eleitoral em 2020.

A Filadélfia recebeu quase cinco vezes mais “Zuckerdólares” do que o condado de Allegheny, apesar de ser apenas um pouco maior em população. O condado de Dauphin pediu US$ 206.471, mas na verdade recebeu mais do que o dobro desse valor. Apesar de Hillary Clinton ter vencido por pouco este condado em 2016, Joe Biden aumentou o total de votos democrata em 22%.

Aparentemente, a maior alocação de Zuckerdólares foi para condados com maior chance de vitória dos democratas. Embora vários condados tenham optado por Donald Trump em 2020, os condados que receberam a maioria dos Zuckerdólares optaram por Biden. De fato, 92% do valor total concedido foi nos condados pró-Biden.

Também há evidências de que os Zuckerdólares influenciaram os resultados das eleições ao mobilizar os eleitores democratas. O comparecimento democrata nos condados que receberam Zuckerdólares não se equiparou às mudanças ocorridas nos condados sem o influxo de dinheiro.

Quem diria que o equipamento de proteção individual teve tanto impacto no comparecimento aos eleitores?

Bem, não é verdade. Os dados disponíveis destacam o fato de que apenas uma fração do dinheiro solicitado foi para medidas de proteção.

A Filadélfia recebeu uma doação de US$ 10 milhões, dos quais US$ 250 mil foram solicitados para equipamentos de proteção individual. Para colocar isso em perspectiva, todo o orçamento operacional para os comissários da cidade é de US$ 12,3 milhões. A cidade também solicitou dinheiro visando “ser intencional e estratégico alcançar nossos moradores e comunidades historicamente marginalizados”.

Intenções à parte, isso não tem muito a ver com a pandemia – que, afinal, era supostamente o propósito por trás desses "subsídios de resposta à Covid-19".

O condado de Chester usou centenas de milhares de dólares em divulgação, incluindo um “cartão postal enorme” para todos os eleitores, um vídeo promocional em espanhol e inglês e uma campanha de registro eleitoral online. O condado usou apenas 6% de sua doação para equipamentos de proteção individual, desinfetante e outras despesas relacionadas à Covid-19.

Para piorar essa situação lastimável, esses números refletiam apenas as intenções declaradas desses condados sobre como planejavam gastar o dinheiro. Como exatamente esses milhões foram gastos permanece um mistério burocrático.

Na verdade, o Comitê de Inquérito Eleitoral ad hoc do condado de Luzerne não conseguiu nem mesmo determinar a cadeia de comando sobre como os fundos do subsídio foram aplicados, administrados e gastos.

Se um subsídio não foi usado para equipamento de proteção individual, por que as jurisdições locais foram autorizadas a gastar dezenas de milhões de dólares de terceiros antes da eleição? Melhor ainda, por que, antes disso, elas receberam esse dinheiro?

A resposta é simples: porque elas podem.

O dinheiro privado e sem fins lucrativos que influencia diretamente as eleições é um grande problema, especialmente quando usado para criar maiores oportunidades de votação em certas áreas do estado, favorecendo um partido político e seus candidatos.

E para ser justo, a Pensilvânia reconheceu esse problema antes da eleição de 2020 e fez tentativas para proteger a integridade da eleição por meio de ações judiciais e legislativas.

Com o “sucesso” dos Zuckerdólares no ano passado, nada impede que bilionários da Califórnia e de Nova York exerçam essa mesma influência partidária em 2022, 2024 e além.

Hayden Dublois é analista de pesquisa sênior da Foundation for Government Accountability. Trevor Carlsen é pesquisador sênior da Foundation for Government Accountability.

© 2021 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês.
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