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A crise mundial é fruto de décadas de políticas neoliberais que levaram a internacionalização do capital financeiro, causaram o enfraquecimento do Estado. Evidentemente ela vai atingir os países sul-americanos e o momento agora é de pensar em medidas corretivas para garantir empregos e continuar investindo em políticas sociais.

O Brasil, que antes da eleição de Lula à presidência da República tinha uma política econômica frágil, sujeita a qualquer instabilidade econômica, hoje tem um quadro estruturado e mais sólido. Mas não estamos imunes à crise. Comemoramos um bom resultado do PIB no terceiro trimestre, no entanto nossa política econômica não está consolidada. É evidente que os resultados mostram que estamos fazendo a lição de casa, o brasileiro está mais confiante, os números mostram que mais empregos foram gerados. Entretanto, é bom mencionar que grande parte das nossas receitas vêm da exportação de commodities e, portanto, estão sujeitas às variações cambiais. O efeito multiplicador disso na economia vai ser muito grande.

Antes de falar das medidas corretivas, gostaria de lembrar que a crise não surgiu ontem. Ela começou a nascer com as políticas neoliberais defendidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial. A chamada globalização não globalizou o capital produtivo. Na verdade internacionalizou o capital financeiro, tornando o mundo refém das variações e transações de capitais. Analisemos rapidamente o que aconteceu por exemplo na América do Sul, nas décadas de 70 e 80, até o final da década de 90. Quem não seguia à risca a política neoliberal era considerado país atrasado, não recebia investimentos. E essa política neoliberal já havia produzido um remédio amargo nos Estados Unidos e Inglaterra. Por exemplo, a Argentina acabou cedendo a exigência da dolarização da sua economia e o resultado todo mundo conhece.

No Brasil, graças à ação vigorosa dos movimentos sociais e à eleição do presidente Lula, se deu um basta a essa malfadada aventura política, de dolarização da nossa moeda. Agora o mundo está experimentando o remédio amargo. Por enquanto não existe antídoto, mas com bom senso podemos enfrentar a crise soberanamente. Nossas reservas internacionais permitem que tenhamos mais fôlego e as atuais políticas, responsáveis, nos dão caminhos, coisas que anteriormente não tínhamos. Dependíamos da tutela do Fundo Monetário Internacional.

É evidente que cada país sul-americano vai adotar a sua própria política econômica para combater os efeitos da crise. No Brasil, ao meu modo de ver, deveríamos investir pesadamente em infra-estrutura. Dentro disso estão as habitações populares. Isso é fundamental, porque a infra-estrutura vai criar a dinâmica necessária para o nosso desenvolvimento. Precisamos também baixar os juros, para incentivar os investimentos produtivos e o consumo interno. São medidas corretivas, mas não a solução. Esta virá de acordo com o comportamento do mercado e as próximas medidas que serão adotadas ao longo do próximo período.

Enio Verri, doutor em Integração da América Latina pela USP, é secretário de estado do Planejamento e de Coordenação-Geral do Paraná. É professor do Departamento de Economia da Universidade de Maringá (UEM).

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