i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Artigo

A favela brasileira: sobreviventes da selva de pedra

  • PorJosé Antonio C. Jardim
  • 01/10/2014 21:02

Alguns anos atrás, a favela – ou os moradores de favela – era responsabilizada pela maioria das desgraças sociais. A própria palavra "favela" era evitada por alguns moradores. Assumir que se era morador de favela renderia alguns rótulos, pois algumas pessoas acreditam que parte das mazelas ocorridas na sociedade é culpa dos "favelados". Esses preconceitos em relação às favelas e seus moradores são propagados pela desinformação.

Foi-se o tempo em que a favela era reduto de pessoas com baixa renda financeira e sem acesso a bens de consumo. Uma radiografia desses territórios tem mostrado a nova favela brasileira. Ela emergiu do anonimato para o seu devido lugar. No livro Um país chamado favela, escrito por Celso Athayde (fundador da Central Única das Favelas) e Renato Meirelles (presidente do Data Popular), é demonstrada a evolução financeira das favelas, desmistificando esses territórios como os únicos e exclusivos focos de problemas sociais.

A favela não é e nunca foi o berço da violência, da pobreza ou da bandidagem brasileira. A pesquisa feita com 2 mil moradores de 63 favelas brasileiras mostra que a classe média dobrou de tamanho nas comunidades. A média salarial é de R$ 910 e metade das casas tem tevê de plasma ou de LCD, computador e micro-ondas. É um mercado consumidor maior que Paraguai e Bolívia, com população estimada em 12 milhões de pessoas. Se fosse um estado, seria maior que o Paraná.

As favelas evoluíram – não só financeiramente, culturalmente e socialmente, mas em todos os sentidos. Como lembra Preto Zezé, presidente da Cufa Brasil, "o acesso à economia tirou as favelas brasileiras do papel de coadjuvantes da sua própria história; são protagonistas, peças-chave do processo de desenvolvimento. Hoje, não cabe mais este discurso generalizado. Os moradores de favelas não aceitaram mais ser coadjuvantes da própria história e nem ser subprodutos de atravessadores, somos protagonistas da nossa própria história". E Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas: "Na favela não há pessoas carentes, carente é como nos chamam, na favela há pessoas que produzem, trabalham e lutam por seus sonhos". Nos dias atuais, aprecia-se nas comunidades pessoas que não se permitem mais ser "buchas", pautadas por lutas alheias.

Os moradores das favelas saíram do estado da invisibilidade, cansaram de empunhar bandeiras alheias, e agora lutam pelos próprios interesses. As favelas tornaram-se autossustentáveis, seus moradores não mais aceitam ser "ratos de laboratório". Não pactuam com o medo das contradições, dos rótulos; vão à luta, transformam o estigma em carisma, o rancor em amor, não omitem mais suas fraquezas; ao contrário, na fraqueza se fazem fortes pela própria transparência. Projetam sua visão de mundo, se fazem presentes no discurso da vida pública.

Não temos mais como olhar as favelas como o primo pobre da sociedade burguesa, mas sim como parte da sociedade. As favelas querem mais porque sabem que o passado não foi fácil, e, quando olham para o futuro, sabem que é possível fazer muito mais, não só pelas favelas, mas pelo país como um todo.

José Antonio C. Jardim, teólogo e técnico em Dependência Química, é coordenador da Cufa Paraná.

Dê sua opinião

Você concorda com o autor do artigo? Deixe seu comentário e participe do debate.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.