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A reforma do ensino básico e o futuro dos grupos de educação

Quando a mão do Estado pesa sobre um setor, a regulamentação dita não só suas atividades, mas, principalmente, o rumo dos investimentos

  • PorCesar Silva
  • [01/08/2018] [00:01]
 | Albari Rosa/Gazeta do Povo
| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Quando a mão do Estado pesa sobre um setor, a regulamentação dita não só suas atividades, mas, principalmente, o rumo dos investimentos. Entender aonde vai o mercado de educação demanda a análise das últimas ações do MEC.

O comportamento do setor sempre seguiu as deliberações da pasta. Foi o que ocorreu a partir de meados dos anos 1990, quando, a fim de ampliar o acesso ao ensino superior, o governo passou, por meio do Prouni, a trocar vagas em Instituições de Ensino Superior (IESs) por isenções fiscais. Para aderirem, porém, as IESs, praticamente todas sem fins lucrativos naquele momento, tiveram de mudar sua natureza. Ao passarem a buscar resultados financeiros, atraíram investidores e, com novos estímulos e condições de mercado, foram alvo de um processo de fusões e aquisições.

Programas oficiais de fomento ao ensino superior tornaram, até anos atrás, o segmento de educação um dos mais atrativos do mercado de capitais. Porém, neste momento, em que pela primeira vez, neste ano de 2018, o número de matriculados no ensino superior é maior do que o do ensino médio, a tendência se inverte.

Programas oficiais de fomento ao ensino superior tornaram, até anos atrás, o segmento de educação um dos mais atrativos do mercado de capitais

Há 8,5 milhões de matriculados nas mais de 2.200 IESs privadas em atividade no país. O número não reflete pujança, mas sim inchaço. Com o fim dos programas de incentivo à graduação, apenas um terço da oferta total de vagas é ocupada. Na tentativa de reverter a baixa demanda, o valor das mensalidades foi destruído, chegando, em alguns casos, a míseros R$ 50,00. A nova realidade produziu um deságio de 40% no valor dos quatro grupos educacionais de capital aberto.

O próximo movimento das empresas do setor se dará, novamente, a partir da regulamentação. A Reforma do Ensino Médio trouxe à luz tanto o nível baixo do Ensino Superior quanto as oportunidades de verticalização e profissionalização com enormes ganhos de escala. Grandes grupos já se aproximam das escolas de ensino médio e de seus grupos controladores.

Ofertando os níveis Médio, Fundamental II e Fundamental I, as IESs usarão espaços físicos ociosos, estruturas operacionais já organizadas para atender a alunos com potencial para seguir por todas as etapas de ensino na mesma instituição.

Leia também: Não à BNCC totalitária (artigo de Anamaria Camargo, publicado em 2 de julho de 2018)

Leia também: O Japão e a educação (artigo de Ademar Batista Pereira, publicado em 14 de julho de 2018)

No final do século XX, o custo de capacitação chegava ao valor de uma mensalidade do curso de graduação na IES. Hoje, é três vezes maior, o que ocorre simultaneamente com a queda dos valores das mensalidades.

Este movimento se caracteriza, em grande escala, pela compra do Grupo Somos Educacional pela Kroton e, em menor medida, pela abertura de escolas de ensino médio nas unidades de graduação do grupo Estácio. Outros grupos, como Eleva, AZ SEB e Cox também se posicionam com a proposta de ofertarem sistemas de ensino integrados a partir da educação básica.

Os movimentos realizados pelos players do setor nos últimos 20 anos apontam virão muitas novidades, seja na gestão dos grupos ou nos modelos que ofertarão, com a modalidade EAD, a composição de eixos de conhecimentos, a integração mais ampla dos níveis de educação e, espera-se, com o cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação.

Cesar Silva é presidente da Fundação FAT.
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