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Opinião do dia 2

A tomada de decisão do eleitor

  • PorMarcos Venícius Barreto Magalhães
  • 07/09/2009 21:10

A teoria do comportamento do consumidor baseada na teoria da preferência tem como princípios as necessidades fisiológicas e psicológicas dos indivíduos. Aqui vou me estender um pouquinho nas necessidades psicológicas para tentar entender a atual realidade político-social-econômica.

A necessidade psicológica pode ser suprida pela satisfação que os bens e serviços podem oferecer aos cidadãos, daí a sua demanda. Então, determinadas informações veiculadas pelos diversos agentes econômicos são preferidas de um em relação a outros no que tange ao Estado interventor ou não. E a escolha da informação é fundamental para se tomar tais decisões.

Sem discutir se é eficaz o Estado interventor, gostaria de tratar da economia brasileira em duas informações apenas.

No período atual, constatamos o desconcerto petista, haja vista o seu projeto inicial e o seu desenlace, cuja contradição é tão forte, que chega ao ridículo. Segundo, como justificar que um partido e presidente ridículos tenham 80% de apoio de seu próprio povo (brancos, mulatos, negros e amarelos)?

Isso merece uma pesquisa extenuante. Mas, sem tal, há alguns elementos que podemos citar, mas que, se não podemos comprovar, serve para tentar diminuir a nossa ira sobre tal história.

A esquerda sempre fez um discurso sujo, denegrindo a administração do período JK, cujo mote seria a emissão de moeda e as facilidades do Estado para financiar o crescimento econômico e o investimento externo (com seus lucros e dividendo enviados ao exterior) etc. Mas deixa de lado as altas taxas de crescimento do período, dificultando muito as informações ao eleitor brasileiro.

Quanto aos governos militares, principalmente da fase do Milagre Econômico e do II PND (ambos, com taxas altíssimas de crescimento da riqueza), a esquerda elegeu como mote para suprir as mentes dos brasileiros de informações negativas, principalmente aos desavisados e aos excluídos (negros e mulatos), a concentração de renda e a dívida externa respectivamente.

Houve também irracionalidade na esquerda, ao querer que o governo Collor derrubasse uma inflação de quase 1.800% em 12 meses, pelas vias corretas de seu combate (as políticas fiscal e monetária). E a memória dos brasileiros, em algum momento, não faltará na luta pela destituição do Collor pelos políticos (destacando-se os petistas etc.), cujo mote era a corrupção.

Hoje, os desavisados e excluídos devem ter uma imagem diferente daquela proposição, pois, segundo a mídia, muitos dos que o derrubaram passaram a obter, através da corrupção, os polpudos recursos da riqueza nacional. Os meios de comunicação citam o próprio presidente da República, nos vários escândalos, o seu filho, além das propinas na privatização no governo FHC etc.

Apesar dos péssimos resultados dos Planos Cruzado e Real, a esquerda corrompe a consciência nacional ao não qualificá-los devidamente, uma vez que, se no primeiro (1986), levou o Brasil à moratória (resultante do descalabro das contas públicas, da inflação febril etc.), cuja administração econômica coube ao PMDB, no segundo plano (1994), dirigida pelo PSDB, conduziu a uma dívida pública estúpida, inviabilizando políticas públicas capazes de tentar conduzir (no longo prazo) o liberalismo a seus costumeiros resultados.

Portanto o eleitor, por princípio, tem de fazer as suas escolhas de acordo com as informações que possui sobre os bens e serviços.

E tomando o PT como o grande informador de nosso passado e sendo este governo a fonte vergonhosa da relação projeto/realização, o povo não nos parece ter, a priori, os parâmetros básicos para poder comparar o que já se fez e o que se faz, o que o PT propôs e o que realiza.

A esquerda ao ter construído e apoiado uma infinidade de mentiras sobre o que ocorreu com a economia brasileira até 1985, provocou uma confusão e ao mesmo tempo satisfação aos excluídos de si mesmo (uma vez que justifica a sua própria dificuldade para melhorar), dando lugar à falta de critério pelo eleitor (consumidor de serviços de Estado) para votar.

Marcos Venícius Barreto Magalhães é doutorando em Administração Pública – UCS/UNIFACS.

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