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A chanceler alemã, Angela Merkel, fala à mídia sobre a situação no Afeganistão, em 24 de agosto de 2021.
A chanceler alemã, Angela Merkel, fala à mídia sobre a situação no Afeganistão, em 24 de agosto de 2021.| Foto: Sean Gallup / POOL/EFE

Depois de quatro mandatos de chanceler da Alemanha, a democrata-cristã Angela Merkel deixa o poder como uma das mais poderosas e influentes lideranças políticas dos últimos tempos, não apenas em seu país, mas também na Europa e no contexto internacional.

Em quase 16 anos no cargo, ela enfrentou inúmeras crises, inclusive um baque no sistema financeiro global em 2008, as ameaças de dissolução da União Europeia, a grande onda migratória na Europa e, por fim, a pandemia de Covid-19. Todavia, as seguras e importantes medidas e a política de austeridade adotada internamente mantiveram a estabilidade política, social e econômica da Alemanha e serviram de modelo para os demais países do bloco com reflexos positivos em outras potências.

Por isso, a primeira mulher a ocupar a chancelaria alemã é considerada a líder mais importante da Europa. Seu prestígio internacional é comparado ao de outro político democrata-cristão, o também chanceler Helmut Kohl, responsável pelo processo de reunificação da Alemanha, culminado em outubro de 1990, apesar da desconfiança e das divergências internacionais. Essas são claras evidências do ideal da Democracia Cristã como política de governo, baseada na promoção do bem-estar das pessoas, na unidade social, no respeito aos direitos humanos e na justa distribuição de renda.

Merkel deixa o poder como uma das mais poderosas e influentes lideranças políticas dos últimos tempos - não apenas em seu país.

O Brasil esteve bem próximo de entrar nesse sistema político-administrativo e alinhar-se a países com estabilidade e desenvolvimento sustentado. No início dos anos 1960, o Partido Democrata Cristão (PDC), criado em 1945, havia se reorganizado e era influenciado por democracias como a Itália e Alemanha, onde a Democracia Cristã era (e ainda é) muito forte e participativa. O partido estava crescendo e agregando importantes lideranças estaduais, entre as quais Franco Montoro, Ney Braga, José Richa, Plínio Sampaio, Álvaro Valle e Nelson Marchezan.

Bem estruturado, com crescente penetração nos estados e municípios e forte adesão popular, o PDC tinha alas muito ativas, como a Juventude Democrata Cristã, na qual militei e que realizava memoráveis convenções. O PDC tinha amplas possibilidades de disputar a Presidência da República. Mas veio o governo militar e, com ele, o AI-2, que extinguiu os partidos e instituiu o bipartidarismo, criando a Arena e o MDB.

Acredito que o Brasil perdeu, então, a grande oportunidade de adotar uma política realmente baseada nos mais elevados valores cívicos, humanos e sociais. Em síntese, a democracia firmada nos princípios cristãos, tais como a liberdade, a solidariedade e a justiça.

Luiz Carlos Borges da Silveira, empresário, médico e professor, foi ministro da Saúde e deputado federal.

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