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Capitalismo, Angry Birds e multiplicação de riquezas

A ideia de que uns precisam empobrecer para que outros possam criar ou multiplicar riqueza é um mito

  • Gustavo Reichenbach
 | Brunno Covello/Arquivo Gazeta do Povo
Brunno Covello/Arquivo Gazeta do Povo
 
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O leitor talvez já tenha jogado algum jogo da série “Angry Birds”. Pra quem desconhece, trata-se de um jogo muito divertido e inteligente, com uma física determinista própria, onde o objetivo é eliminar os famigerados porquinhos ladrões de ovos. Não sei se a empresa finlandesa Rovio imaginava o tamanho do sucesso em 2009, quando o jogo foi criado; fato é que a Forbes avaliou a empresa em algo entre US$ 700 milhões e US$ 1 bilhão, mas um dos fundadores da empresa, Peter Versterbacka, diz que não a vende por menos de US$ 20 bilhões – acredito que ele consiga essa quantia.

A exemplo de Bill Gates, que iniciou a Microsoft em uma garagem, a Rovio também começou pequena e hoje vale bilhões. Digo isso pra refutar o mito de que para criar ou multiplicar riquezas outros precisem empobrecer. Riquezas podem e devem ser criadas, por vezes a partir apenas de uma boa ideia; a internet é campo extremamente propício a isso.

O problema nunca foi a desigualdade, mas sim a pobreza

Empregos foram gerados, famílias inteiras sustentadas, impostos recolhidos, pessoas se divertem jogando, sem ninguém empobrecer. Ao contrário: o ciclo econômico retorna com mais força, mais gente trabalhando, mais dinheiro no mercado, maior crescimento econômico e mais credibilidade em atrair o capital estrangeiro. Quando a economia é saudável, funciona como um relógio.

Não obstante, levando o raciocínio a outra área, quando uma incorporadora compra um conjunto de casas e constrói um edifício, o valor do terreno somado ao valor da obra é inferior ao valor total do edifício, e novamente famílias foram sustentadas, impostos recolhidos e, claro, a incorporadora multiplicou suas riquezas sem necessariamente lesar alguém. Todos podem e devem ganhar.

Porém, para que esse “milagre” aconteça é necessário um cenário propício, um alto grau de liberdade econômica, uma carga tributária coerente, pois do contrário isso afasta os empreendedores, que transferem suas empresas para outros países, levando consigo seu dinheiro e empobrecendo o país – ou seja, o “relógio” se inverte.

Do mesmo autor:  Liberdade econômica e redes de assistência social (2 de setembro de 2017)

Leia também:O problema não é a desigualdade, mas a pobreza (artigo de Rodrigo Saraiva Marinho, publicado em 7 de dezembro de 2016)

Opinião da Gazeta:Pobreza e desigualdade (editorial de 23 de janeiro de 2017)

Há um conceito em economia chamado “curva de Laffer” que descreve esse fenômeno: acima de certa porcentagem, a arrecadação de impostos diminui em vez de aumentar. Essa alta tributação é nociva para os empresários, para o consumidor, para a economia e para o próprio governo. Os governos altamente intervencionistas ignoram solenemente esse conceito e o resultado sempre é péssimo, motivo pelo qual são tão nefastas essas ideologias pseudopopulistas.

Ninguém que eu conheça é contra pobres voando de avião, como a extrema-esquerda discursa. É necessária uma esquerda moderada e que respeite o mercado, pois a política também necessita de oposição nos partidos. O problema são partidos com ideologias nocivas e políticos oportunistas lesando o nosso país.

O problema nunca foi a desigualdade, mas sim a pobreza. Quer eliminar a pobreza? Multiplique as riquezas e o resto ocorrerá naturalmente.

Gustavo Reichenbach, formado em Processamento de Dados e Hotelaria, é investidor autônomo da construção civil.

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