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Empregos no agronegócio: por enquanto mais uma vitória do setor

  • PorEduardo Müller Saboia
  • 10/06/2020 20:46
PIB baixo
O PIB da agropecuária cresceu 1,3% em 2019, segundo o IBGE. Serviços também cresceram 1,3% e a indústria, 0,5%.| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

O trabalho duro e pesado nos campos e currais, a falta de estrutura nas cidades rurais e as promessas de prosperidade e mais educação para as famílias nas cidades grandes já tirou do campo muita gente, principalmente a partir da terceira fase da industrialização no Brasil, na década de 30. A esperança por uma vida de trabalho menos sofrida, com menores riscos de perdas e desejo de mais valorização levou milhões dos campos às cidades desde então.

O fenômeno, conhecido por êxodo rural, não é exclusividade do Brasil. Existente no mundo inteiro, se intensificou a partir da revolução industrial na Inglaterra por volta de 1760. Desde 2009 que a população urbana mundial já é maior que rural, e estima-se que em 2030, 40% da população mundial seja rural, em 2050, apenas 30%. Mais pessoas nas cidades a procura de trabalho urbano e menos pessoas a produzir alimentos, considerando modelos atuais de produção.

A explosão de habitantes nas cidades, aliado as constantes crises político-econômicas, têm trazido dificuldades de trabalho, do tradicional emprego e de renda para seus habitantes. A crise que se intensifica com os efeitos do Covid-19. Há projeções da Fundação Getúlio Vargas que indicam desemprego de 17,8% no país até o final de 2020.

Mas na contramão de tudo isso, um setor novamente traz esperança para o país: o agronegócio. Vilão do planeta para muitos desinformados, garantia de renda direta em 2019 para mais de 18,3 milhões de brasileiros, ou 18,25% da população ocupada no país, um aumento de 0,8% frente a 2018, segundo estudo da Cepea/Fealq. E estes dados não incluem profissionais da Indústria e Serviços fora das cadeias diretas de produção, onde estão incluídas as indústrias de peças e maquinários agrícolas e serviços de alimentação, como restaurantes, por exemplo.

E no primeiro trimestre, já com algum impacto do Covid-19, não foi diferente. Segundo o último relatório sobre o Mercado de Trabalho do Cepea, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, em parceria com a Fealq, Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz, coordenado por Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, “nos três primeiros meses de 2020, a população ocupada no agronegócio foi de 17,97 milhões de pessoas, apenas 0,53% menor na comparação com o mesmo período de 2019, indicando estabilidade.”.

Para comprovar o feito, buscou-se referências sobre o mês de abril, quando se intensificaram os acordos de redução de jornada ou afastamento remunerado, e quando o país já tinha mais impactos. Segundo o Ministério da Economia, Secretaria do Trabalho, em abril houve um aumento de 22,1% no pedido de seguro-desemprego, em comparação com abril de 2019, e um aumento de 39,4% sobre março de 2020. Do total de solicitações, quase 750 mil pessoas, 41,6% foram do setor de Serviços, seguido por Comércio com 27,7%, Indústria com 19,9% e agropecuária com 3,7%. Sim, apenas 3,7%, ou menos de 28 mil pessoas.

O relatório do Cepea/Fealq indica que alguns setores do agro sofreram mais e foram parcialmente compensados por outros. Atividades ligadas à cana-de-açúcar e algodão, que sofrem os impactos da queda do preço do petróleo, assim como de floricultura e plantas ornamentais, que padecem com o “fique em casa” e perdem mais trabalhadores. Por outro lado, o ramo de sementes, fertilizantes e agroindústria apresentaram melhora significativa, compensando parte das perdas.

O agronegócio vem se tornando cada vez mais importante para o Brasil. Bateu recorde de exportação no primeiro quadrimestre frente ao mesmo período da série histórica e representou metade das exportações do país. Foi bem em grãos, café e proteína animal. E o mais importante, preservou empregos e garantiu trabalho para milhões de brasileiros que ainda podem entrar em casa e olhar para suas famílias com dignidade e esperança.

Eduardo Müller Saboia é técnico e engenheiro industrial mecânico, pós-graduado em Gestão Industrial e Business Management e mestre em Administração Estratégica. Trabalha na indústria de maquinários agrícolas, é Professor de Agricultura 4.0 na Pós-graduação da UFPR e Head de uma empresa de treinamento e consultoria em agronegócio.

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