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Muito se discute sobre a criação da Faixa de Infraestrutura proposta pelo governo do estado do Paraná, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Logística, que apresenta uma proposta de desenvolvimento organizado para Pontal do Paraná. Porém, antes de adentrar nesta seara, gostaria de ressaltar que o município de Pontal do Paraná lutou por mais de uma década para conseguir formular e aprovar seu Plano Diretor, fato ocorrido no mês passado.

O ordenamento proposto desde o Zoneamento Ecológico Econômico da região litorânea, chegando até o Plano Diretor, já prevê o desenvolvimento organizado de Pontal do Paraná. É de conhecimento público e notório que a cidade está estrangulada devido ao único acesso da PR-412 aos balneários. Hoje, o trânsito é caótico, dividido entre as atividades industriais da Techint, moradores, comerciantes, veranistas e turistas, com índices alarmantes de acidentes. Moradores de Pontal do Sul chegam a levar mais de uma hora para chegar a Praia de Leste. Isso é justo? Em períodos de pico, são mais de 200 mil pessoas utilizando uma única via para se locomover, ocasionado um caos generalizado. Isso é justo?

A Faixa de Infraestrutura, além de dar uma nova e viável alternativa para essa situação, nos traz uma nova luz para resolver um segundo e tão grave problema crônico do município de Pontal do Paraná: os alagamentos frequentes. Nos últimos dias, fomos atingidos por fortíssimas chuvas que provocaram grandes alagamentos em diversos balneários. Pontal do Paraná é um município plano, o que dificulta – e muito – a sua drenagem. A solução encontrada historicamente são os canais de drenagem, que hoje se encontram saturados. A abertura de um novo canal, com uma calha e uma profundidade significativa, nos traz uma alternativa para trabalharmos toda a drenagem do município.

Pontal do Paraná tem como potencial o turismo, mas outro grande potencial é a atividade portuária

Questionar o saneamento é algo meio estranho, pois basta andar pelas ruas da cidade e ver inúmeros canteiros de obras da Sanepar/GEL, que está implantando e ampliando o sistema de esgotamento sanitário e que, quando finalizado, compreenderá 80% dos imóveis. O abastecimento de água tratada é outro crônico problema pontalense – sempre que temos picos de calor e de pessoas na cidade, não se consegue fornecer um serviço de qualidade. Pontal do Paraná precisa de uma nova adutora para poder servir a todos.

Como a maioria dos municípios litorâneos, Pontal do Paraná tem como potencial o turismo, mas outro grande potencial é a atividade portuária, que pode ser desenvolvida. O posicionamento geográfico, as características do leito marinho, o clima e outros fatores favorecem as atividades industriais na região chamada de Ponta do Poço. E, ao contrário do que se conhece em falar de Brasil, hoje, com a Faixa de Infraestrutura, juntamente com o ZEE e o Plano Diretor de Pontal do Paraná, podemos planejar e ordenar o desenvolvimento local, fazendo com que ele aconteça de forma exequível e sustentável.

Para finalizar, a Faixa, além de todas essas benesses já citadas, servirá como limitador do crescimento urbano da cidade, impedindo não só as ocupações irregulares, mas também a abertura de novos loteamentos, sejam eles para quaisquer padrão social, fazendo com que grande parte da área do município de Pontal do Paraná seja conservada e protegida.

O impacto direto da supressão vegetal para a implantação da referida Faixa não chega nem perto de milhões de hectares, não chegando nem a milhar. Pergunto eu: a quem interessa realmente o não desenvolvimento de Pontal do Paraná? Quem estaria sendo beneficiado pela implantação da referida Faixa? Essa segunda pergunta é de fácil resposta: toda a população pontalense, seus veranistas, turistas e futuros empreendedores, sem falar de todo o sistema produtivo do estado do Paraná e do Brasil.

Ricardo Aguiar, biólogo pós-graduado em Gestão Ambiental e graduando em Gestão Pública, foi secretário municipal de Recursos Naturais de Pontal do Paraná, é diretor-geral de Recursos Naturais de Pontal do Paraná, empresário dos setores da educação, consultoria ambiental e construção civil, e morador de Pontal do Paraná.
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